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Entrevista com Dr. Salvador Lopez, Diretor-Geral da Mundipharma
DATA
29/12/2016 12:17:04
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Entrevista com Dr. Salvador Lopez, Diretor-Geral da Mundipharma

"Queremos contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos doentes portugueses"

Como surgiu a ideia de trazer a Mundipharma para Portugal?
Temos confiança em Portugal e no seu futuro e queremos criar emprego e riqueza. Portugal está a ganhar uma nova dinâmica económica e é fundamental investir em saúde. Para além disso, existe ainda muito para fazer no que concerne à sensibilização da população e ao diagnóstico. Estamos apostados em melhorar esta vertente atuando em parceria com os profissionais de saúde e as autoridades e até mesmo com a sociedade civil.

Em que áreas terapêuticas a Mundipharma pretende investir?
A Mundipharma conta atualmente com 20 produtos sujeitos a receita médica distribuídos por 5 áreas terapêuticas – Dor, Oncologia, Adicção, Inflamação e Área Respiratória –, sendo ainda reconhecida líder no tratamento da dor. Por outro lado, também oferece uma gama de produtos farmacêuticos de venda livre.

Tomando o exemplo das Doenças Respiratórias, e da Asma em particular, que tipo de inovação acrescentam ao tratamento destas patologias?
Não se pode tratar a asma com um “penso rápido”. A asma é uma doença tratada atualmente de forma maioritária por medicamentos com mais de 14 anos no mercado. A inovação e a revolução tecnológica e social mudaram radicalmente todas as indústrias e fez com que os produtos mais antigos dessem lugar a produtos mais inovadores. É esse o caso da asma: quando não é devidamente tratada tem um grande impacto na vida dos doentes, limitando fortemente a sua atividade profissional, escolar e social. Atualmente, as principais dificuldades no controlo da asma são a inadequada adesão ao tratamento regular e contínuo e a utilização incorreta dos dispositivos inalatórios. No entanto, com o tratamento adequado é possível ter uma vida perfeitamente normal. Nesse sentido, lançámos no país um medicamento há muito desejado pela classe médica para o tratamento desta doença. Único no mercado, é inovador no tratamento dos doentes asmáticos porque junta, pela primeira vez, o broncodilatador mais rápido a atuar no alívio dos sintomas da asma, com o anti-inflamatório mais potente, possibilitando a melhoria do controlo da asma, a diminuição do número de crises de agudização e a melhoraria da qualidade de vida, semelhante à dos não asmáticos. É também inovador porque estas duas substâncias estão contidas num inalador de última geração,muito simples de manusear que permite que mais medicamento possa chegar aos pulmões.
Em resumo, uma novidade que aporta uma garantia para o médico e uma maior autonomia para todo o tipo de doentes, permitindo uma utilização correta da terapia e uma maior adesão ao tratamento, o que é especialmente importante para os doentes mais complexos, como é o caso das crianças ou dos idosos.

Criaram também o Instituto Mundipharma. Quais os objetivos desta nova entidade?
Esta iniciativa nasce como objetivo fundamental de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos doentes. Estamos confiantes de poder fazer a diferença em benefício dos portugueses que sofrem de doenças respiratórias, como a asma. O Instituto é vocacionado para doentes e profissionais de saúde com os quais vamos pôr em marcha diferentes iniciativas que passam pelo desenvolvimento e pesquisa, assim como pela sensibilização e difusão de informação sobre a doença, inclusivamente orientadas para a formação da comunidade científica e sanitária.

Quais são as suas principais preocupações em relação à saúde dos portugueses?
A asma é uma patologia subdiagnosticada e subtratada que atinge cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Quase metade dos asmáticos portugueses não tem a doença controlada e 9 em cada 10 doentes com asma não controlada tem perceção errada do estado de controlo da sua doença. Uma das consequências do mau controlo são as agudizações graves de asma com necessidade de internamento.
É uma doença crónica frequente e potencialmente grave, que afeta crianças e adultos, não tem cura mas pode ser controlada. O tratamento passa pelo controlo, situação que pode ser atingida na maioria dos doentes com uma gestão adequada da doença.

Além da experiência com a Associação Portuguesa de Asmáticos (APA), que outras iniciativas o Instituto Mundipharma vai desenvolver ao nível da Responsabilidade Social?
São já várias as iniciativas do Instituto Mundipharma nestes quatro meses de vida. A celebração do Dia Mundial da Asma estende-se também às sociedades médicas na área das doenças respiratórias como a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e o Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF, com várias iniciativas nos media, alertando e educando para a necessidade de bem controlar e tratar a asma, como é o caso da produção de um vídeo com o título “Que a Asma Não Te Pare”, que passará nas televisões e que conta com a participação relevante de figuras públicas queridas e respeitadas pelos Portugueses. O Instituto Mundipharma Portugal tem colaborado com vários players da sociedade como a Fundação Make a Wish, Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa (patrocínio do Hospital da Bonecada), Faculdade de Medicina do Porto (desenvolvimento de uma app) e ainda o patrocínio da Equipa Olímpica Portuguesa de K2, para além do apoio à formação médica continuada e à investigação clínica junto da classe médica.

A literacia dos doentes em Portugal é uma preocupação da Mundipharma? Quais as medidas pensadas para atingir este objetivo?
Os estudos indicam que a literacia dos doentes asmáticos é baixa e é uma das razões para a existência de um elevado número de doentes asmáticos que não têm a sua asma controlada. Na verdade, esta baixa literacia manifesta-se, não só no pouco conhecimento da doença (por exemplo os doentes asmáticos aceitam que os sintomas da asma são um “peso” que têm que carregar diariamente), como na dificuldade que muitos doentes sentem em manusear corretamente o seu dispositivo de inalação, diminuindo a sua adesão à terapêutica e fazendo com que não atinjam o controlo da sua asma, impedindo-os de viver uma vida normale com qualidade. Este é um dos aspetos que nos preocupa e para a qual procuramos soluções inovadoras, quer do ponto de vista das moléculas, quer dos dispositivos de inalação que, no caso do seu medicamento recentemente lançado, é um de última geração. Cerca de 99% dos doentes foram capazes de manusear corretamente.

Quais os objetivos da empresa a médio e longo prazo?
Além de procurar o melhor lançamento na área da asma, o foco da nossa equipa é criar a cultura empresarial da Mundipharma Portugal (“Mundiferença”), que pretende deixar uma marca na sociedade portuguesa e um legado para que as gerações futuras possam aceder a terapias inovadoras, que melhorem a qualidade de vida dos doentes e cuidadores de forma responsável, com a sustentabilidade económica dos sistemas públicos de saúde.
Queremos encurtar distâncias e eliminar as barreiras existentes entre autoridades, indústria, comunidade científica e sociedade, a fim de encontrar pontos de concordância para que todos saiam beneficiados da pesquisa farmacêutica. Uma sociedade evoluída que procura uma melhoria contínuatem de apostar na investigação em saúde e assegurar um retorno justo e razoável do investimento que incentive a procura das melhores terapias para todos.

Sobre a Mundipharma

Há quantos anos existe?
Existe há mais de 60 anos. Foi criada no início da década de 1950 quando dois irmãos, os Drs. Mortimer e Raymond Sackler, psiquiatras nova-iorquinos, adquiriram uma pequena empresa farmacêutica dedicada aos produtos antissépticos, a Purdue Frederick. É uma empresa familiar onde as pessoas importam muito e são valorizadas. Atualmente, a família Sackler continua ativamente o desenvolvimento do negócio e os seus valores transmitem-se pessoalmente.

Em que países está instalada?
Somos a 30.ª farmacêutica no mercado mundial e, de acordo com informação publicada, a faturação global da rede em 2015 ascendeu a aproximadamente 4 mil milhões de dólares. A Mundipharma, multinacional americana inovadora com presença em todo o mundo, é uma das maiores companhias farmacêuticas, estando presente em mais de 50 países, incluindo 23 países da Europa.

Quais são os valores corporativos?
A nossa origem é sustentada pelo empreendedorismo, humildade e generosidade de uma família da Europa de Leste que emigrou para os EUA, a família Sackler. A chave é contar sempre com pessoas talentosas e competentes, oferecendo-lhes autonomia, liberdade de ação e responsabilidade, para que possam implementar plenamente todo o seu potencial. Quem trabalha na Mundipharma gosta de mencionar o conceito de “diretor-geral do território ou da área de responsabilidade de cada um”, na medida em que todos gerimos os recursos como se fosse a nossa empresa. Esta cultura tem sido mantida ao longo de mais de 60 anos de história. Na Mundipharma, o desenvolvimento profissional e as oportunidades de carreira são uma realidade. Apostamos em pessoas capazes de fazer a diferença, de adaptar-se a um ambiente dinâmico e de mudança de forma eficaz e de oferecer uma excelente experiência a todos aqueles que os rodeiam.

Perfil

Nome completo: Salvador López Orland
Idade: 41 anos
Formação Académica: Advogado, tem um MBA (Master in Business Administration) e um MBL (Master in Business Law)
Percurso Profissional: Diretor-geral da Mundipharma Portugal desde novembro de 2015. Foi Diretor Legal & Compliance para Espanha & Portugal, Diretor de Alianças Comerciais Espanha & Portugal e diretor de Recursos Humanos desta companhia. Advogado de formação, tem uma experiência de mais de 15 anos na indústria farmacêutica, tendo trabalhado 10 anos para a Janssen - Johnson & Johnson e três anos em diferentes firmas de advogados.
O que é que mais gosta em Portugal? Além de representar um “desenvolvimento pessoal e profissional”, o facto de ser diretor-geral da Mundipharma Portugal é, para Salvador López, “um desafio”. Casado e com 3 filhos, de 11, 9 e 6 anos, está a preparar os Triatlos de Lisboa (Maio) e Cascais (Setembro), adora a gastronomia portuguesa e conhecer os lugares bonitos da geografia portuguesa.

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