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Burnout: quando o médico fica pelos cabelos…
DATA
03/03/2009 07:30:58
AUTOR
Jornal Médico
Burnout: quando o médico fica pelos cabelos…

É diferente de stress... E também não é o mesmo que depressão... Talvez "exaustão" seja o vocábulo português que mais perto está de conseguir traduzir esta síndrome com uma prevalência cada vez mais significativa no universo dos profissionais de saúde

É diferente de stress... E também não é o mesmo que depressão... Talvez "exaustão" seja o vocábulo português que mais perto está de conseguir traduzir esta síndrome com uma prevalência cada vez mais significativa no universo dos profissionais de saúde. Dá pelo nome de burnout, é desencadeado pelos mais diversos factores (internos e externos) e comporta uma vastíssima panóplia de sintomas fisiológicos, emocionais, comportamentais e clínicos. E porque para tratá-lo importa, em primeiro lugar, reconhecê-lo, o psiquiatra Jorge Câmara foi às 19as Jornadas de MGF de Évora falar de um problema que, aos poucos, começa a deixar de ser tabu...

 

Em 1974, Freudenberger descreveu o burnout como um "incêndio interno", um processo lento de exaustão emocional, um estado de fadiga e frustração profundo, que acarreta um conjunto amplo de sintomas fisiológicos, emocionais, comportamentais e clínicos.

Esta síndrome foi identificada, pela primeira vez, em assistentes sociais, mas a sua prevalência estende-se aos mais diversos sectores profissionais, sendo os médicos e restantes profissionais de saúde altamente propensos. Os médicos de família (MF) não são excepção...

São múltiplos os factores que podem conduzir ao burnout. No caso dos MF, "o peso da prática clínica diária" pode ser o primeiro motivo de exaustão, referiu Fátima Breia, directora do Centro de Saúde de Montemor-o-Novo e moderadora da sessão sobre esta temática, organizada no âmbito das 19as Jornadas de MGF de Évora.

Aliados a essa prática exigente, "a actual fase de mudança nos cuidados de saúde primários (CSP) e na forma como a sociedade olha para o MF, o sentimento de inferioridade face aos especialistas hospitalares e a sensação de que a estrutura organizativa parece estar mais contra nós do que por nós" constituem potenciais riscos para o desenvolvimento de burnout entre os MF, salientou Fátima Breia.

 

Grupos Balint podem ajudar

De acordo com o psiquiatra Jorge Câmara, "o burnout pode acontecer a qualquer pessoa, mesmo às que não têm patologia mental". No entanto, há profissionais mais susceptíveis do que outros... É "o caso dos jovens médicos, com cargas horárias demasiado pesadas e que não tenham cargos de chefia na organização em que estão inseridos", explicou o também psicanalista, que durante vários anos dirigiu o CAT das Taipas. Segundo o especialista, esta síndrome é normalmente mais frequente "em pessoas que querem e acham que conseguem controlar tudo".

Quanto aos sintomas, são muito variados e há que estar atento, porque para tratar o burnout importa, em primeiro lugar, reconhecer a sua existência. De acordo com Jorge Câmara são frequentes as atitudes negativas, bem como o cinismo crescente, o exagero nos diagnósticos e a depleção das energias em profissionais que sofram desta síndrome.

A prevenção (e o tratamento) do burnout passa, no entender do psiquiatra, por uma "auto-avaliação cuidada e capacidade de reconhecimento dos sintomas, pela participação em grupos Balint, rotatividade e diversificação de funções e pela realização de reuniões de equipa periódicas".

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