Jornal Médico Grande Público

2012… O ano de todas as apreensões
DATA
25/01/2012 08:46:38
AUTOR
Jornal Médico
2012… O ano de todas as apreensões

Subidas nas taxas moderadoras. Alterações organizacionais e de liderança no âmbito dos agrupamentos de centros de saúde...

Subidas nas taxas moderadoras. Alterações organizacionais e de liderança no âmbito dos agrupamentos de centros de saúde. Revisão das convenções com prestadores privados e do sector social. Potencial reforma dos subsistemas. Limitações na contratação de pessoal e na utilização de meios de diagnóstico e terapêutica. Cortes nos vencimentos dos profissionais. Transformação da prática da Medicina, fruto do cumprimento - auditado - de novas normas de orientação clínica. Menos dinheiro disponível para aperfeiçoar condições físicas de trabalho... Nos gabinetes, salas de tratamento e balcões de atendimento, reina a vontade de enfrentar o desafio: há que fazer o melhor possível, em tempos difíceis e, sobretudo, não baixar os braços...

 

Face às restrições impostas pelo Orçamento de Estado e pelo memorando de entendimento com a troika, o ano que agora começa é encarado pelos portugueses como uma longa recta, pejada de sacrifícios.

Os profissionais da saúde e dos cuidados de saúde primários (CSP) - em particular - não escapam à austeridade geral, desde logo pela redução da retribuição global anual e pelo incontornável congelamento da progressão nas carreiras. A todas estas restrições, já de si severas, junta-se a circunstância de a relação com os doentes, até aqui avaliada como muito boa, poder vir a deteriorar-se, à medida que são suprimidas regalias (no que respeita, por exemplo, ao transporte de utentes não urgentes e ao agravamento das taxas moderadoras). Ora, não sendo responsáveis pelo agravamento das condições de acesso aos serviços de saúde, a verdade é que os profissionais estão, invariavelmente, na linha da frente do contacto com a população, que o mesmo é dizer... São os primeiros a ouvir as queixas e a sentir a revolta de quem se considera espoliado de direitos.

Com o objectivo de tomar o pulso ao novo ano... Fomos conhecer as expectativas de uns e outros. Regressámos com um prognóstico muito reservado...

 

Aumento das taxas moderadoras já pesa e continuará a pesar

António Miguelote, coordenador da Unidade de Saúde Familiar (USF) Ronfe (Agrupamento de Centros de Saúde - ACES - Ave II, Guimarães/Vizela) não tem dúvidas de que o ano de 2012 conhecerá uma diminuição da procura activa dos utentes de serviços dos CSP, devido ao aumento das taxas moderadoras, tal como já tem vindo a detectar na sua unidade: "está-se a notar uma diminuição do tempo de espera para consulta programada pelos utentes. Anteriormente, esse tempo médio de espera era de 10 dias; agora passou para entre quatro e seis dias. Verifica-se, ainda, uma redução de procura de medicação crónica, embora nós estejamos a fazer um esforço para privilegiar a prescrição a seis meses evitando, assim, a desmultiplicação de gastos com taxas".

Esta tendência é corroborada por Maria Goreti Ferreira, coordenadora da USF Aguda (ACES Espinho/Gaia): "na primeira semana de Janeiro, o acesso restringiu-se muito. Muitas pessoas precisam claramente de cuidados, mas dadas as limitações monetárias, não nos visitam. Este padrão verifica-se, sobretudo, ao nível da saúde de adultos e dos doentes hipertensos. Daqui em diante, teremos de fazer um investimento muito maior para conseguir níveis de adesão semelhantes aos do passado, porque algumas destas pessoas, simplesmente, não têm dinheiro para vir à consulta".

 

Texto integral só disponível na edição impressa

 

 

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