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Leal da Costa assegura que “SNS tem funcionado e vai resistir”
DATA
10/09/2013 09:09:37
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Jornal Médico
Leal da Costa assegura que “SNS tem funcionado e vai resistir”

"Temos sido capazes, quer o Ministério da Saúde, quer o Governo, de responder de forma a manter o SNS que já tantas vezes foi ameaçado pela oposição de desmantelamento. Ele tem funcionado, tem resistido e vai continuar a resistir",

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O Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde (SEAMS), Fernando Leal da Costa, assegurou que o SNS vai continuar a resistir, apesar de já ter sido "tantas vezes ameaçado de desmantelamento" por parte da oposição. O governante lembrou que o SNS - "um dos serviços mais relevantes que o país tem como factor de coesão social" - vai resistir. "Temos sido capazes, quer o Ministério da Saúde, quer o Governo, de responder de forma a manter o SNS que já tantas vezes foi ameaçado pela oposição de desmantelamento. Ele tem funcionado, tem resistido e vai continuar a resistir", sustentou.

Leal da Costa sublinhou que o Orçamento do Estado para 2014 está ainda em fase de elaboração e disse já ser habitual que, no mês de Agosto, "haja sempre muita perturbação, em que os vários agentes se defendem o melhor que podem dos cortes que possam vir a ser sujeitos".

A posição de Leal da Costa surge após a chuva de críticas que têm surgido nos últimos dias, com o PS a acusar o Governo de estar aproveitar o período de férias para desmantelar o SNS (ver texto nesta página) e a Ordem dos Médicos a criticar a concentração de urgências nocturnas em Lisboa. Particularmente os responsáveis dos colégios de especialidades que vão ser concentradas.

Ao governo, os médicos pedem mais tempo e discussão informada sobre a reorganização das urgências, tendo o colégio da especialidade de cirurgia vascular sugerido, num parecer enviado à Ordem dos Médicos, o adiamento do início do processo para a cirurgia vascular para o dia 1 de Outubro, "após preparação adequada e reunidos os requisitos necessários".

Em resposta, Leal da Costa defende-se, afirmando que "com certeza que, tanto a Ordem dos Médicos como os colégios estão a emitir, eventualmente, julgamentos sobre um processo que eles próprios ainda neste momento não conhecem na sua verdadeira dimensão, porque se o conhecessem bem, não podiam de forma nenhuma fazer as críticas que têm sido feitas". Como exemplo, o SEAMS aponta que "o próprio tempo que eles pedem é aquele que é - como ontem foi anunciado pelo Ministério da Saúde - o calendário que está previsto até ao final do ano. Portanto, desse ponto de vista, estão eventualmente a pedir uma coisa que nós próprios já tínhamos decidido fazer".

 

Autarcas contra concentração

Às criticas dos médicos junta-se as da Comissão de Coesão Social da Assembleia Metropolitana de Lisboa (CCSAML) que também veio a público criticar a decisão do governo de concentrar nos hospitais de S. José e Santa Maria as urgências nocturnas dos hospitais da área metropolitana da capital. Em declarações à Lusa, após uma reunião com o secretário de Estado da Saúde, Manuel Ferreira Teixeira, na qual manifestou o seu "desagrado e preocupação" pela medida, que vai "trazer um grave prejuízo" à população da margem sul do Tejo, Sofia Cabral, deputada municipal no Barreiro, eleita pelo PS, e presidente da CCSAML, denunciou que a medida vai obrigar a que utentes, nomeadamente da península de Setúbal, tenham de se deslocar ou sejam transferidos para Lisboa".

De acordo com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), as especialidades que, a partir de Setembro, vão ser concentradas de forma faseada na urgência metropolitana serão a oftalmologia e psiquiatria (já a 2 de Setembro), cirurgia plástica/maxilo-facial, urologia, cirurgia vascular, neurologia e gastroenterologia. A urgência de otorrinolaringologia já foi concentrada há cerca de um ano.

Em comunicado, a ARSLVT informa ainda que entre Outubro e Novembro, serão concentradas, também em S. José e Santa Maria, as urgências nocturnas das especialidades de urologia e cirurgia vascular.

Os responsáveis da ARSLVT acrescentam ainda que, até ao final do ano, a instituição "trabalhará juntamente com os hospitais na avaliação das urgências das especialidades de cirurgia plástica, cirurgia maxilo-facial, neurologia, gastrenterologia, cardiologia de intervenção e cirurgia cardíaca".

 

Psiquiatria fora da "concentração"

Entretanto, a possibilidade de concentração da urgência nocturna de psiquiatria num único hospital (Santa Maria), que chegou a ser dada como certa, não vai, afinal acontecer, declarou ao jornal i Fernando Leal da Costa. Uma informação confirmada ao mesmo jornal por Luísa Figueira, chefe do serviço de psiquiatria de Santa Maria. Segundo a médica, a hipótese de Santa Maria ser o único pólo de urgências à noite nunca esteve em cima da mesa. Santa Maria continuará, assim, a receber no período nocturno casos urgentes do Amadora-Sintra ou do S. Francisco Xavier, enquanto para S. José irão casos da Margem Sul ou mesmo do Algarve e do Alentejo, algo que já acontecia. "Não sei o que motivou a informação errada. Estamos absolutamente descansados e a única coisa que muda é que vamos passar a ser apoiados por colegas de hospitais que passam a encaminhar para cá", garantiu a médica, confiando que para os doentes esta solução poderá traduzir-se numa melhoria de resposta. "Até aqui estavam dependentes da chamada de um psiquiatra ao banco de urgência. Agora, se for urgente, são logo encaminhados".

 

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