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Colégio de Gastrenterologia rejeita responsabilidade pela demora nos exames
DATA
20/01/2014 10:48:56
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Colégio de Gastrenterologia rejeita responsabilidade pela demora nos exames

[caption id="attachment_5989" align="alignleft" width="300"]colonoscospia As razões que levam ao atraso na realização dos exames, amplamente denunciado nos últimos dias, não se deve à falta de especialistas. De facto, explicam os responsáveis do CGOM, “No estudo de Evolução Prospectiva de Médicos no Sistema Nacional de Saúde elaborado pela Universidade de Coimbra para a Ordem dos Médicos e concluído em 2013, ficou claro que o número de gastrenterologistas em Portugal (473), correspondente a 1 gastrenterologista/22 329 habitantes é superior ao de outros países europeus[/caption]

Na sequência das múltiplas opiniões que nos últimos dias se têm emitido envolvendo a especialidade de Gastrenterologia e a acessibilidade dos cidadãos à colonoscopia, a Direcção do Colégio de Gastrenterologia da Ordem dos Médicos (CGOM) emitiu um comunicado de imprensa onde refuta as acusações de que a responsabilidade dos atrasos no acesso sejam da responsabilidade dos médicos.

Não há falta de especialistas de gastrenterologia em Portugal! 

No comunicado, recebido na redacção do JM e assinado por José Cotter, presidente do CGOM, explica-se que as razões que levam ao atraso na realização dos exames, amplamente denunciado nos últimos dias, não se deve à falta de especialistas. De facto, explicam os responsáveis do CGOM, “No estudo de Evolução Prospectiva de Médicos no Sistema Nacional de Saúde elaborado pela Universidade de Coimbra para a Ordem dos Médicos e concluído em 2013, ficou claro que o número de gastrenterologistas em Portugal (473), correspondente a 1 gastrenterologista/22 329 habitantes é superior ao de outros países europeus. Por exemplo, em Inglaterra a densidade por 100 000 habitantes é de 1,82 enquanto em Portugal se cifra em 4,48. Estes números são actualmente tidos como equilibrados e de acordo com as necessidades”.

Do total de especialistas que exercem em Portugal, “os que trabalham no SNS, que se cifrarão num número de cerca de 255, permitem que haja um rácio de habitante no SNS por especialista de 1/39 400”, acrescenta-se no comunicado.

Por outro lado, acrescenta José Cotter, encontram-se neste momento em formação mais 123 médicos que ao longo dos próximos 5 anos se tornarão especialistas em Gastrenterologia”. Ora, na suposição de que poderá haver uma distribuição deficiente dos profissionais pelo território nacional, competirá à tutela criar as condições que incentivem à fixação dos mesmos nas áreas geográficas mais necessitadas.

Acesso aos exames através do SNS é realizado em tempo útil em quase todo o país 

Segundo o presidente do CGOM, a acessibilidade aos exames endoscópicos através do SNS (hospitais e/ou convencionados) nas regiões Norte e Centro “se processa em tempo útil, que não ultrapassa 1-4 semanas, contemplando a generalidade da população. Como tal, uma demora maior e indesejável confinar-se-á à região Sul e, tendo em consideração reportagens difundidas por canais televisivos, mesmo entre várias zonas da região de Lisboa existem grandes assimetrias nos tempos de espera. Assim mesmo, perante uma demora inadequada que se confina a uma região, competirá à tutela analisar e encontrar as soluções que não se afigurarão difíceis”.

Hospitais não admitem especialistas de acordo com as necessidades! 

A responsabilidade pela falta de especialistas nos hospitais públicos é, segundo o CGOM, das Administrações hospitalares que clamam que já tiveram outrora mais gastrenterologistas no seu corpo clinico do que nos dias de hoje”, ainda que tal facto se deva “única e exclusivamente não contratarem os profissionais de que necessitam. Estes especialistas, que obrigatoriamente têm de desenvolver múltiplas actividades clinicas (consultas, internamento, urgência) que passam pelo atendimento daqueles que padecem de doenças do aparelho digestivo/tubo digestivo, fígado, pâncreas e vias biliares, executam ainda as técnicas endoscópicas. Como tal torna-se essencial que o corpo clinico das instituições seja dimensionado tendo em consideração essa múltipla actividade dos médicos, de forma a que se possa satisfazer a população necessitada dos cuidados hospitalares de gastrenterologia”, conclui o comunicado.

Saúde Pública

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