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Insuficiência cardíaca afeta 380 mil portugueses, mas tem sido esquecida
DATA
19/01/2017 10:11:15
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Insuficiência cardíaca afeta 380 mil portugueses, mas tem sido esquecida

Um grupo de peritos, liderado pela especialista Cândida Fonseca, conduziu um estudo que indica que, apesar de a insuficiência cardíaca afetar cerca de 380 mil pessoas em Portugal, não tem recebido a prioridade necessária, faltando meios para a diagnosticar de forma precoce.

Para debater estas questões consideradas urgentes, decorre amanhã em Lisboa uma Reunião Conjunta dos Grupos de Estudo de Insuficiência Cardíaca, Cuidados Intensivos Cardíacos, Cardiologia Nuclear, Ressonância Magnética e TC Cardíaca e Cardiopatias Congénitas onde será abordado o futuro da doença em Portugal, considerada uma das principais epidemias do século XXI e que consome 1 a 3% do orçamento para a saúde nos países desenvolvidos.

“A insuficiência cardíaca é uma síndrome com elevada prevalência, morbilidade e mortalidade, que representa uma sobrecarga económica e social de grande magnitude. Porém, em Portugal tem sido alvo de pouca atenção”, alertou o grupo de especialistas que elaborou um documento de consenso sobre a doença.

Cândida Fonseca sublinhou à Agência Lusa que “há uma necessidade urgente de priorizar a insuficiência cardíaca na agenda da saúde”.

A ideia não passa por pedir mais recursos ou mais verbas, mas antes realocar os que existem, de modo a diagnosticar mais precocemente a doença, nomeadamente nos cuidados de saúde primários.

“Pretendemos até poupar recursos. O facto de não estarmos despertos para o diagnóstico precoce, não termos alguns meios de diagnóstico disponíveis e comparticipados nos cuidados primários faz com que a doença seja tardiamente diagnosticada. Muitas vezes é-o quando o doente vai à urgência e já está muito mal, descompensado. E é onde se gasta a maior parte do dinheiro com insuficiência cardíaca. A ideia é poupar com internamentos, prevenindo-os. Investir na prevenção”, resumiu a coordenadora do estudo.

Dados nacionais de 2015 demonstram que o número de internamentos por insuficiência cardíaca cresceu 33% em oito anos (de 2004 a 2012).

A médica explicou ainda que a doença tem um quadro clínico pouco específico (que passa pela falta de ar ou cansaço), sintomatologia comum a várias outras doenças. Num outro cenário pode nem haver desenvolvimento de sintomas.

Muitas vezes, o diagnóstico faz-se por exclusão. Existe uma análise de sangue que permite excluir a doença, mas que não está disponível de forma comparticipada nos cuidados de saúde primários.

Assim, os peritos pretendem que o diagnóstico seja melhorado através da disponibilização nos centros de saúde de meios comparticipados para detetar ou excluir a patologia.

Para tornar prioritária a insuficiência cardíaca, os especialistas querem que seja criada e aplicado um plano de formação de profissionais de saúde, nomeadamente de médicos e enfermeiros. Deve ainda ser criado um boletim para a doença que permita um acompanhamento mais adequado dos doentes, facilitando o acesso a todos os que participam na assistência.

É ainda sugerido que a insuficiência cardíaca seja considerada uma prioridade no Programa Nacional das Doenças Cérebro-Cardiovasculares e propõe-se o lançamento de uma campanha de informação e sensibilização junto dos cidadãos.

Os peritos lembram ainda que em Portugal não existe um algoritmo de tratamento padronizado e sistematicamente aplicado para a insuficiência cardíaca.

Saúde Pública

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