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Ministro garante: Governo vai consolidar a sustentabilidade do SNS até ao final da legislatura
DATA
28/04/2017 12:08:10
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Ministro garante: Governo vai consolidar a sustentabilidade do SNS até ao final da legislatura

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou ontem que o Governo precisa do tempo que falta até ao final da legislatura para iniciar um processo de consolidação e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Segundo o governante, que falava aos jornalistas em Coimbra no final da cerimónia de certificação da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra como Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde, o SNS continua a responder às necessidades dos portugueses.

“E vai continuar a fazê-lo numa trajetória de mais recursos humanos, mais investimento, com a maior vaga de investimento público na construção de centros de saúde e hospitais”, sublinhou Campos Fernandes, instado a comentar o facto da despesa portuguesa em saúde estar entre as mais baixas da União Europeia, de acordo com um relatório ontem divulgado.

Segundo o relatório, elaborado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), no âmbito do Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde, a despesa pública com a saúde em Portugal totaliza 64,7% do total dos encargos do Estado, enquanto a média da UE é de 76%.

O ministro da Saúde salientou que “o estudo se refere ao período 2010-2016, com grande enfoque no período de assistência financeira, no qual o país, de facto, teve uma restrição muito forte e comprimiu muito a despesa”.

E vai mais longe: “Esse processo foi aliviado e iniciou-se a recuperação em 2016. O estudo diz que o SNS é um dos mais eficientes da Europa e que, mesmo no período de crise, foi capaz, muito por força e do mérito dos seus profissionais, de resistir e responder às necessidades dos portugueses.”

O responsável da tutela adiantou ainda que as negociações com os médicos vão continuar e que há abertura para chegar a um acordo que evite a greve nacional prevista para 10 e 11 de maio.

“Da nossa parte e dos sindicatos há uma atitude de aproximação e de procurarmos eliminar aquilo que possam ser as divergências dentro de um quadro de responsabilidade orçamental”, referiu.

Nas palavras do ministro, o Governo está a “fazer tudo o que pode para num quadro de responsabilidade política e orçamental chegarmos até aquilo que são as justas expetativas profissionais”, embora não vá ser ultrapassada “nenhuma linha vermelha do ponto de vista da segurança e da nossa responsabilidade”.

“Estamos a recuperar o país, a relançar o país para uma trajetória de desenvolvimento e sustentabilidade e, tudo e a todos, ao mesmo tempo, não é possível”, sublinhou.

Os sindicatos médicos afirmaram hoje que se mantêm todos os pressupostos para que a greve nacional de 10 e 11 de maio ocorra, após uma nova reunião com o Ministério da Saúde.

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, disse à Agência Lusa que os sindicatos saíram do encontro de hoje com um sentimento de "grande desapontamento".

"O Ministério da Saúde parece pretender empurrar os médicos para o confronto. Mantêm-se todos os pressupostos para que a greve ocorra", indicou Roque da Cunha, acrescentando, contudo, que haverá nova ronda negocial na próxima semana, dia 5 de maio.

O pagamento das horas extraordinárias a 100%, a redução do número de horas de trabalho nas urgências ou a limitação da lista de utentes por médico de família são algumas das reivindicações dos sindicatos.

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