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Campos Fernandes acusa: falta de material nas USF é inaceitável
DATA
15/05/2017 09:27:36
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Campos Fernandes acusa: falta de material nas USF é inaceitável

O ministro da Saúde advertiu os presidentes das administrações regionais de saúde (ARS) de que é “inaceitável” a falta de material nas Unidades de Saúde Familiar (USF) e avisou que a falta de resoluções do problema “terá consequências”.

Adalberto Campos Fernandes falava, na passada sexta-feira, no 9.º Encontro Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF), que decorre em Aveiro, onde anunciou que está a ser preparado um novo modelo para as ARS.

“Custa-me muito aceitar que haja USF que digam que têm falta de material e fica aqui dito claramente aos presidentes das ARS que isso é politicamente inaceitável. É deles a responsabilidade de resolver isso rapidamente. Se não o fizerem não estão a executar em condições a vossa missão e isso terá de ter consequências”, declarou.

O ministro aconselhou as ARS que fazem “menos bem a fazer melhor ou mudar de vida” e adiantou que, não só está a ser preparada uma nova lei orgânica para as ARS, como está a ser repensado o modelo, que considerou “envelhecido”.

“As ARS resultaram da extinção das sub-regiões e da acumulação de competências com outras entidades, perderam-se no papel e afastaram-se do importante que era estar no terreno, na coordenação, no acompanhamento estratégico e identificação de necessidades”, destacou.

Respondendo aos “obstáculos” à atividade, anteriormente apresentados pelo presidente da USF - Associação Nacional (USF-NA), João Rodrigues, o representante da tutela referiu que estão a ser lançados 70 novos centros de saúde e instalações de USF, 16 dos quais em Lisboa, “para acabar com situações de funcionamento em prédios habitacionais em que as pessoas têm de ir de elevador”.

Ao nível dos recursos humanos assegurou que, “até ao final do semestre, irão finalmente ser colocados os 774 enfermeiros envolvidos no concurso de recrutamento que se arrasta há anos”.

Quanto à lista de utentes dos médicos de família, o ministro salientou os progressos alcançados: “De 2014 para 2016 diminuiu o número de portugueses sem médico de família, que caiu abaixo de um milhão de utentes, e neste momento há cerca de 800 sem cobertura, que esperamos com as colocações deste ano melhorar.”

O 9.º Encontro Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF), que decorre até sábado na Universidade de Aveiro, compreende a segunda edição da Academia dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e sessões plenárias abordando, entre outras questões, a nova metodologia de contratualização, os sistemas de informação, a criação da especialidade do Enfermeiro de Família e criação da carreira do secretariado clínico.

Na sexta-feira foi apresentado o estudo relativo ao “Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários”, com base nas avaliações dos coordenadores das USF, que revelou estar em recuperação o grau de satisfação com a reforma, após ter tido os piores indicadores em 2013 e 2014, e passou a incluir um parâmetro novo, o da violência contra profissionais de saúde, sendo que 84% dos inquiridos referiu pelo menos um caso ocorrido nos últimos 12 meses, 14% dos quais de violência física.

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