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Médicos de família querem rever limites de USF
DATA
19/05/2017 11:14:15
AUTOR
Jornal Médico
Médicos de família querem rever limites de USF

Os médicos de família sugerem que o Governo passe a criar um número mínimo de unidades de saúde familiar que devem abrir por ano, ao invés de estabelecer um número máximo, como acontece atualmente.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, considera que “subsiste um princípio incrível” de definir um limite máximo para as unidades de saúde familiar (USF) que podem abrir durante um ano.

Em declarações à Agência Lusa a propósito do Dia Mundial do Médico de Família, que hoje se assinala, o responsável considerou que se devia inverter a lógica e fixar antes um patamar mínimo para as USF a abrir.

Criadas em 2005, “as USF são mais efetivas, têm melhor organização, mais recursos, não só humanos, mas também técnicos e materiais”, indica Rui Nogueira, lamentando que se esteja a prolongar a assimetria quanto a estas unidades.

Atualmente, metade da população tem acesso às USF, mas a outra metade continua a estar inscrita nos centros de saúde tradicionais, mais antigos.

Os médicos de família defendem ainda que mais USF das que já estão criadas deviam passar a modelo B, que é uma forma mais evoluída de organização.

O modelo B está definido como aquele em que equipas com maior amadurecimento organizacional e maiores exigências de contratualização garantem maior disponibilidade para atingir níveis avançados de acesso para os utentes, elevado desempenho clínico e eficiência económica.

Sobre o panorama global dos médicos de família em Portugal, o presidente da APMGF admite que atualmente o número de profissionais é “bastante razoável”, havendo cerca de 5500 a exercer e cerca de 2000 em formação.

A quantidade de profissionais em formação na especialidade é considerada por Rui Nogueira como confortável, se bem que o médico preveja que em 2020 e 2021 haja um novo ‘boom’ de clínicos a aposentar-se.

Ainda assim, Portugal tem cerca de 8% da população sem médico de família, o que significa menos de 800 mil utentes, estando a maior parte (600 mil) concentrados na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Além destas assimetrias regionais, há diferenças dentro das várias unidades de algumas zonas, chegando a haver centros de saúde em que 20% dos utentes permanecem sem médico de família.

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