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Ordem dos Médicos acusa DGS de ter pessoas ligadas a associações antivacinas
DATA
30/06/2017 10:31:02
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Ordem dos Médicos acusa DGS de ter pessoas ligadas a associações antivacinas

A Ordem dos Médicos acusou a Direção-Geral da Saúde de ter a trabalhar naquele organismo pessoas ligadas a associações que são contra a vacinação, apesar do seu dever de defender a saúde pública e de recomendar fortemente as vacinas.

O bastonário Miguel Guimarães defende, aliás, que o Governo já devia ter apresentado queixa no Ministério Público contra associações que fazem publicidade contrária às vacinas, não compreendendo que a Direção-geral da Saúde (DGS) albergue pessoas que pertencem a instituições daquelas.

“Está a acontecer um fenómeno sobre o qual o Governo nada está a fazer, que é a publicidade que está a ser feita sobre a questão da vacinação por algumas instituições. Não podemos aceitar que, por exemplo, a chamada Sociedade Portuguesa de Homeopatia passe a mensagem para os portugueses de que as vacinas são más. E estou a ser simpático, porque o que dizem sobre vacinas é absolutamente pavoroso”, afirmou Miguel Guimarães em entrevista à Agência Lusa.

Recentemente relançou-se em Portugal um debate sobre a importância da vacinação, depois de um surto de casos de sarampo, maioritariamente em pessoas não vacinadas, e que acabou por provocar a morte a uma jovem de 17 anos.

Miguel Guimarães insurgiu-se ainda contra o facto de “trabalharem na DGS pessoas que estão ligadas a este tipo de associações” que promovem a não vacinação: “Não é aceitável que no seio da DGS existam pessoas a trabalhar que promovem exatamente o contrário daquilo que a própria DGS promove.”

“Isto é um sistema estranho. A DGS tem obrigação de defender a saúde pública e de recomendar fortemente determinado tipo de práticas, depois, por outro lado, tem a trabalhar no seu seio pessoas que têm posições completamente opostas. É uma situação incompreensível”, insiste.

A Ordem pode mesmo, “num futuro muito curto”, equacionar a parceria que tem com a DGS em relação à elaboração de normas de orientação clínica, recomendações que funcionam como instrumentos de apoio à decisão clínica.

“Temos uma parceria com a DGS para as normas de orientação clínica. Não sei se esta parceria deve ou não manter-se. Pode ser perfeitamente a Ordem a fazer as recomendações clínicas”, lança o representante dos médicos.

O bastonário alerta que há pessoas que fazem campanha contra as vacinas e que haverá sempre uma faixa de população que “pode acreditar” nas afirmações que são feitas, “sem evidência ou base científica”.

“As autoridades podem fazer queixa no Ministério Público. Mas que país é este que está à espera que sejam as ordens profissionais a assumir um papel que devia ser predominantemente do Governo?”, questionou o bastonário.

O bastonário recordou ainda que a Ordem pode atuar quando são médicos a pronunciarem-se, lembrando também que foram movidos “dois ou três” processos disciplinares a clínicos “que deixaram entender que as vacinas podiam estar associadas a autismo”.

Ainda assim, sobre a vacinação, o bastonário recordou que Portugal tem das taxas de vacinação mais elevadas da Europa e um Programa Nacional que “tem funcionado bem”, duvidando mesmo que seja necessário chegar a medidas que tornem as vacinas obrigatórias.

Para Miguel Guimarães, o importante é dar informação às pessoas sobre a importância das vacinas, mostrando que ao não se vacinarem podem estar a “pôr em causa muitos milhares de vidas”. Mas, ao mesmo tempo, é necessário combater a “publicidade” que é contrária à saúde pública.

 

DGS: acusações da OM não têm fundamento

A Direção-geral da Saúde (DGS) considera infundamentada a acusação por parte do bastonário da Ordem dos Médicos de que aquele organismo tem a trabalhar pessoas ligadas a associações que são contra a vacinação.

“Não tem qualquer fundamento” essa acusação, afirmou à Agência Lusa o diretor-geral da Saúde, Francisco George.

O responsável adiantou que no dia 23 de junho se encontrou com o bastonário e com representantes do Centro, Sul e Norte da Ordem dos Médicos, iniciando “um processo de diálogo” sobre diversas matérias, entre elas as vacinas, o qual decorreu “de forma tranquila”, ainda não terminou e “aparentemente não há divisões de fundo”.

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