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DGS: Quase 15% dos idosos em risco de desnutrição e 70% com carência de vitamina D
DATA
31/07/2017 11:52:00
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DGS: Quase 15% dos idosos em risco de desnutrição e 70% com carência de vitamina D

Quase sete em cada dez idosos portugueses apresentam carências de vitamina D e mais de metade ingere menos cálcio do que o adequado, havendo 15% em risco de desnutrição.

A conclusão é do projeto Nutrition Up 65, cujos dados integram o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde (DGS) apresentado no passado sábado, em Lisboa. Os resultados do estudo adiantam que 14,5% das pessoas com mais de 65 anos exibiam risco de desnutrição e que 1,3% estavam efetivamente desnutridas.

“São perto de 15% [os idosos] em risco de desnutrição, o que significa uma faixa grande desta população que não é alimentada como devia”, sublinhou o diretor do PNPAS, Pedro Graça, em declarações à agência Lusa. Quanto ao cálcio e à vitamina D, o responsável diz não ser contra a toma de suplementos, mas avisa que a população mais idosa deve ser seguida nutricionalmente por um profissional de saúde, a quem cabe o aconselhamento sobre a suplementação alimentar.

“As pessoas a partir dos 65 anos devem ter um apoio médico e nutricional, com os especialistas a identificarem os seus hábitos alimentares e a corrigi-los. Com uma alimentação saudável, não serão necessários suplementos, mas, se forem, só um profissional de saúde deve dar essa indicação”, afirmou Pedro Graça.

Na população idosa, também os indicadores de consumo de sal são problemáticos, com 85% das pessoas a partir dos 65 anos a consumirem mais sal do que o que é aconselhado (até cinco gramas por dia).

A prevalência de idosos com pré-obesidade e obesidade é também maior do que na população geral e rondam os 70% os que apresentam excesso de peso.

O diretor do PNPAS sublinha que a população idosa “é uma população de risco que precisa de ser observada e cuidada”, indicando que foi a primeira vez que se detalharam alguns indicadores relativamente aos hábitos alimentares dos mais velhos, uma faixa que tem sido menos analisada.

“Há a necessidade de dar atenção muito particular às populações idosas, não só as institucionalizadas, mas também as que vivem nas suas próprias casas”, disse.

Alguns hábitos alimentares que se tinham ao longo da vida podem perder-se ou deteriorar-se, acrescentando a que a vontade de cozinhar só para si se vai perdendo, tal como se deteriora a capacidade de mastigar com o evoluir da idade.

Os idosos tendem ainda a começar a apreciar comidas mais doces e a preferir alimentos nutricionalmente menos ricos. É necessário então encaminhá-los para alimentos mais densos a nível nutricional e com menos energia.

Pedro Graça destacou um pormenor: o facto de estes dados terem sido recolhidos “depois de três ou quatros anos de grande crise económica e social”, durante os quais muitos dos idosos foram inclusivamente um apoio fundamental para filhos e netos.

 

Quase 1/4 dos produtos consumidos por portugueses não integram Roda dos Alimentos

Bolos, doces, bolachas, snacks salgados, pizzas, refrigerantes e bebidas alcoólicas representam quase um quarto do consumo total alimentar dos portugueses.

“Vinte e um por cento dos alimentos consumidos pelos portugueses não estão incluídos na Roda dos Alimentos”, aponta o diretor do PNPAS. No caso das bebidas, apesar de a água ser a bebida mais consumida pela população portuguesa, o “consumo inadequado” de refrigerantes é uma realidade, sobretudo nos adolescentes, com um consumo médio de 164 gramas por dia. São 43% os adolescentes que referem beber diariamente refrigerantes e consomem em média mais do que um refrigerante por dia.

O consumo de fruta e hortícolas encontra-se, a nível nacional, abaixo do que é recomendado e, pelo contrário, o consumo de carne, pescado e ovos está acima dos valores aconselhados. Os resultados do consumo alimentar da população portuguesa revelam, segundo o relatório, “disparidades significativas” entre os diferentes grupos etários. As crianças e os adolescentes são os que consomem maior quantidade de leite, iogurte e cereais de pequeno-almoço, mas em contrapartida são o grupo que menos ingere fruta e produtos hortícolas. Em todas as faixas etárias a carne é mais consumida do que o pescado.

Através de dados do Inquérito Alimentar Nacional 2015/2016 e do Inquérito Nacional de Saúde Física realizado em 2015 e agora publicados, o relatório vinca que há uma “profunda desigualdade na distribuição da doença”, que é influenciada pelo gradiente social. No fundo, os menos escolarizados e mais pobres têm maior carga da doença e fazem piores escolhas alimentares.

No que se refere à obesidade infantil, que tem sido estudada nos últimos anos, Portugal apresenta alguma estabilização entre 2008 e 2013, embora ainda acima da média europeia.

 

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