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Níveis de gordura corporal elevados tornam melanomas mais resistentes à radioterapia
DATA
01/08/2017 12:14:42
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Níveis de gordura corporal elevados tornam melanomas mais resistentes à radioterapia

As conclusões de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) mostram que níveis elevados de gordura corporal favorecem o crescimento das células cancerígenas associadas aos melanomas, fazendo com que estes se multipliquem com mais facilidade e se tornem mais resistentes aos tratamentos de radioterapia.

"As células do melanoma crescem mais rapidamente e morrem menos" quando entram em contacto com as moléculas produzidas pelo tecido adiposo (gordura), explicou à agência Lusa o investigador da FMUP responsável pelo trabalho, Pedro Coelho.

De acordo com o especialista, essa exposição faz com que as células do melanoma migrem e adiram mais facilmente à superfície de outros órgãos, o que, no caso do cancro, se traduz numa maior agressividade. O estudo mostra também que as moléculas produzidas pelos adipócitos (células responsáveis pelo armazenamento da gordura) aumentam a probabilidade de o tumor desenvolver vasos sanguíneos próprios, criando uma forma alternativa para que o melanoma cresça e, posteriormente, se multiplique.

Nesta investigação, que demorou cerca de quatro anos a ser concluída e onde foram utilizados modelos in vitro e in vivo, percebeu-se ainda que os elevados níveis de gordura corporal têm um efeito negativo na renovação celular, processo essencial para a eliminação de células "defeituosas".

Os resultados demonstram igualmente que quando as células cancerígenas são expostas às moléculas libertadas pelo tecido adiposo, resistem mais ao tratamento, como se estivessem a ser "protegidas contra os efeitos da radioterapia", indicou Pedro Coelho.

O passo seguinte, segundo o investigador, passa por verificar quais as alterações produzidas nos melanomas pelas células libertadas pelo tecido adiposo, de forma a controlar ou bloquear esse processo, evitando assim que a doença se torne resistente ao tratamento.

Nesta investigação colaboraram ainda profissionais da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto (ESS-P.Porto) e do Serviço de Radioterapia do Hospital de São João.

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