Jornal Médico Grande Público

Controlo da asma poderia poupar 184 milhões de euros
DATA
06/12/2017 11:41:28
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

Controlo da asma poderia poupar 184 milhões de euros

Controlar a asma dos portugueses permitiria uma poupança de cerca de 184 milhões de euros por ano em Portugal, como revelam os resultados dos estudos divulgados hoje pelo Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde - CINTESIS.

Segundo uma das pesquisas, intitulada “Cost of asthma in children: a nationwide, population-based, cost-ofillness study”, Portugal poderia poupar até 30 milhões de euros por ano recorrendo somente ao controlo da asma nas crianças até aos 17 anos de idade.

Publicado na edição de novembro da Pediatric Allergy Immunology, e liderado pelo investigador do CINTESIS, João Fonseca, o trabalho indica que esta poupança representaria uma redução de 20% na despesa global com a doença.

De acordo com os resultados do segundo estudo, designado “Cost of asthma in Portuguese adults: A population-based, cost-of-illness study”, e publicado na Revista Portuguesa de Pneumologia, o controlo da asma nos adultos, por sua vez, possibilitaria uma poupança superior a 154 milhões de euros por ano.

Este trabalho, da autoria de João Fonseca, em conjunto com os investigadores Luís Azevedo, Ana Sá Sousa, José Pedro Barbosa e Manuel Ferreira-Magalhães, do CINTESIS, é o primeiro estudo a calcular o impacto económico da asma no adulto em Portugal.

Os resultados obtidos pelos investigadores mostram que a asma custa 547 milhões de euros por ano ao Estado português, o que representa 3% da despesa total em saúde.

Relativamente aos adultos com asma, estes custam cerca de 386 milhões de euros, com cada doente a gastar em média 708,16 euros por ano, dos quais 93% são custos diretos em saúde, como consultas, idas à urgência, internamentos, testes de diagnóstico e medicação de alívio.

“Os doentes não controlados gastam mais do dobro do que os doentes controlados”, indicou o investigador João Fonseca, acrescentando que “um melhor controlo da asma permitiria diminuir as despesas de saúde de forma significativa”.

Já a asma infantil custa mais de 161 milhões de euros por ano, representando cerca de 1% das despesas em saúde. As conclusões mostram que cada criança com asma representa, em média, 929,35 euros por ano, dos quais 75% são custos diretos.

Foi, de igual modo, possível concluir que uma criança com asma controlada gasta, em média, 747,63 euros por ano, enquanto uma com a doença não controlada gasta 1.758,44 euros, ou seja, mais mil euros por ano.

Assim, o investigador considera que as pessoas com asma persistente devem fazer a medicação adequada de forma regular e continuada e não apenas quando aparecem os sintomas, mensagem que se estende, também, aos profissionais de saúde.

Frisou, ainda, que apesar de as patologias serem semelhantes em todo o mundo, os subtipos da doença variam entre países e regiões, sendo os estudos deste género importantes para que se saibam os dados nacionais. “Esta é a única forma de estimarmos o que conseguimos fazer com um novo medicamento ou diagnóstico e qual o impacto que essas melhorias ou decisões podem ter na saúde”, acrescentou.

Apesar de elevados, os investigadores admitem que os números obtidos nestes estudos estejam subestimados, sobretudo devido à falta de dados relativos aos custos indiretos, que incluem os transportes, o absentismo laboral e a perda de produtividade.

Registe-se

news events box

Mais lidas

Has no content to show!