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Malária: mil menores terão morrido num município angolano em dois meses
DATA
06/12/2017 15:37:39
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Malária: mil menores terão morrido num município angolano em dois meses

A UNITA, maior partido da oposição angolana, alertou que 1.080 menores morreram, vítimas de uma doença “com sintomas de malária” entre setembro e novembro num único município do leste, acusação desmentida pelo governador provincial da Lunda Norte.

O alerta da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) consta de um relatório produzido por deputados daquele partido que visitaram o município diamantífero do Cuango, na província da Lunda Norte, para “constatar, no terreno, denúncias sobre uma epidemia” que alegadamente se faz sentir há mais de 90 dias, atingindo essencialmente a vila de Cafunfo.

No relatório, divulgado pelo grupo parlamentar da UNITA, liderado pelo deputado Adalberto da Costa Júnior, é referido que “há efetivamente uma doença com sintomas de malária a matar cinco a 12 crianças por dia” no Cuango.

Entre 1 de setembro e 29 de novembro, “terão perecido 1.080 crianças”, com idades até 17 anos, afirma a UNITA, cujos deputados se reuniram com famílias das vítimas, administradores locais, clínicos e autoridades tradicionais e religiosas.

“A situação atual vivida no município do Cuango é o resultado de uma governação irresponsável, sem ‘norte’ e sem projetos sociais coerentes”, acusa o partido.

O governador da província da Lunda Norte, Ernesto Muangala, negou estas acusações, garantindo que no hospital de Cafunfo, durante o período em causa, se registaram 74 óbitos de crianças por malária, com “maioritariamente” até cinco anos de idade.

Contudo, explicou que devido a um alegado surto de malária em Cafunfo foi criada uma equipa multissetorial para avaliar a situação e reforçar meios. O próprio governador, médico e antigo diretor em vários hospitais angolanos, foi reforçar o número de profissionais clínicos que atenderam os pacientes no hospital local.

“Não se trata de uma doença estranha ou desconhecida. Trata-se de malária”, afirmou Ernesto Muangala, reconhecendo que a situação foi agravada pelo atual período chuvoso, que propicia a reprodução do mosquito transmissor da doença.

Já a UNITA, no seu relatório, diz que a situação tem também origem na falta de saneamento básico, “já que não existe uma simples rede de esgotos” e acrescenta que o encerramento da morgue local “faz com que os cadáveres sejam levados para casa”, o que aumenta o risco de contágio.

O partido da oposição recomendou, além da requalificação da vila de Cafunfo, a “alocação de meios à administração municipal do Cuango”, para garantir a recolha do lixo e saneamento básico, bem como a “reabilitação urgente do hospital regional”.

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