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Morte súbita: o direito dos cidadãos à reanimação
DATA
10/01/2018 11:45:24
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Morte súbita: o direito dos cidadãos à reanimação

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e Comissão Parlamentar de Saúde concordam que é necessário mudar o panorama da morte súbita cardíaca em Portugal, alegando que esta pode ser evitada e prevenida, se os passos certos forem dados.

Decorreu ontem, na Assembleia da República, uma sessão, convocada pela Comissão Parlamentar de Saúde, e que contou com a presença da SPC, em que se procurou encontrar respostas e soluções para promover a prevenção da morte súbita cardíaca.

“Podemos estar rodeados de médicos, mas se não temos os meios necessários para socorrer um cidadão perante um episódio de morte súbita, a situação não se vai resolver”, defendeu o presidente da SPC, João Morais.

Em Portugal ocorrem cerca de 10 mil casos de paragem cardiorrespiratória por ano e, segundo dados disponibilizados pelo INEM, apenas 3% das vítimas sobrevive, o que reflete as lacunas do sistema de socorro pré-hospitalar, consideram ambos os organismos.

A área da prevenção da morte súbita cardíaca, no entender dos cardiologistas, está longe de ter uma resposta adequada e é, por isso, um dos domínios onde ainda há muito por fazer. Se o coração parar, existem apenas uns minutos para fazer um conjunto de manobras: “é nestes minutos que muito ainda está por fazer”, considera a SPC.

“A cadeia de sobrevivência prevê os seguintes passos: reconhecer que a vítima está em paragem cardiorrespiratória, ligar 112, iniciar de imediato as manobras de Suporte Básico de Vida, aceder e utilizar um Desfibrilhador Automático Externo (DAE) e manter as manobras até chegada das equipas do INEM que depois continuará os cuidados pós-ressuscitação. Se estes passos não forem executados correta e atempadamente a possibilidade de sobrevivência diminui muito e rapidamente”, defende.

Assim, o ideal pelo qual luta a SPC é que “todos os cidadãos usufruam do direito a ser reanimados, ou seja, que num episódio de morte súbita, e enquanto as equipas do INEM não chegam, os portugueses possam contar com a ajuda de cidadãos com formação para aplicar Suporte Básico de Vida (SBV)”.

De acordo com o Registo Nacional de Paragem Cardiorrespiratória Pré-hospitalar, partilhado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica, em 2016, dos 12.000 casos de tentativas de ressuscitação em que as manobras de reanimação cardiopulmonar foram aplicadas, apenas 681 cidadãos chegaram vivos ao hospital, ou seja, há uma mortalidade de 95% “na rua”.

Assim, a SPC propõe que a Comissão Parlamentar de Saúde patrocine a criação de um grupo de trabalho exclusivamente dedicado ao tema da Prevenção da Morte Súbita com o INEM, Cruz Vermelha, Bombeiros, Conselho Português de Ressuscitação, SPC e outras entidades que, em conjunto, possam avaliar e rever o Decreto-Lei 184/2012 apresentando um conjunto de medidas que promovam o direito de todos os portugueses a serem reanimados. Na opinião da SPC, o Decreto-Lei 184/2012 poderá ser melhorado, uma vez que apresenta lacunas e disparidades quanto à execução e realidade nacional.

A SPC considera ainda que é urgente colocar o tema da prevenção da morte súbita na agenda política e criar campanhas de literacia em saúde que promovam a importância de todos os cidadãos estarem aptos a saber aplicar SBV e manusear um DAE, assim acentuando o conceito de cidadania que este tema envolve.

Saúde Pública

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