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Número de toxicodependentes em tratamento aumentou, invertendo tendência
DATA
08/02/2018 11:39:24
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Número de toxicodependentes em tratamento aumentou, invertendo tendência

O número de doentes que foram tratados em ambulatório por uso de drogas aumentou em 2016, contrariando a tendência de diminuição que se registava desde 2009, refere o relatório anual sobre as drogas e toxicodependência ontem divulgado.

De acordo com o documento, em 2016 estiveram em tratamento 27.834 utentes com problemas relacionados com o uso de drogas no ambulatório da rede pública. Nesse ano iniciaram tratamento mais de três mil pessoas, das quais 60% eram novos tratamentos, sendo os restantes utentes em readmissão.

Segundo o “Relatório Anual sobre A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências”, apesar de o número de novos utentes ter sido, em 2016, o mais elevado desde 2010, não apresentou variações relevantes no último quadriénio (mais 5% entre 2013 e 2016 e mais 3% entre 2015 e 2016), por comparação aos acréscimos verificados entre 2010 e 2012.

Relativamente a doentes readmitidos em tratamento, registou-se uma redução pelo quarto ano consecutivo, como adianta o relatório elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD). O documento sublinha que o número de doentes em readmissão ficou, em 2016, no valor mais baixo desde 2010. “Em 2016, nas redes pública e licenciada, registaram-se 665 internamentos por problemas relacionados com o uso de drogas em Unidades de Desabituação (590 nas públicas e 75 nas licenciadas) e 2.064 em comunidades terapêuticas”, aponta.

A heroína continua a ser a droga mais referida pelos utentes com problemas de uso de drogas, mas entre os novos utentes em tratamento, foi a canábis que prevaleceu, sendo a droga associada a 54% dos utentes. Em relação ao tratamento por problemas com álcool, registaram-se, em 2016, 5.375 episódios de internamentos hospitalares, a maioria dos quais relacionados com doença alcoólica do fígado (65%).

Também neste problema se verificou, no quadriénio 2012-2016, uma diminuição contínua de internamentos (menos 22%), mas só em relação a diagnósticos principais.

Se se considerar diagnósticos secundários relacionados com álcool, o número de internamentos é bastante superior (33.899), “verificando-se neste caso um aumento contínuo ao longo dos últimos anos”, alerta o relatório.

Segundo conclui, estes internamentos por diagnósticos secundários relacionados com consumo de álcool representaram 2,14% do total de internamentos hospitalares em Portugal continental.

Saúde Pública

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