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BCG apenas para crianças de grupos de risco não aumenta casos de tuberculose
DATA
09/02/2018 10:58:37
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BCG apenas para crianças de grupos de risco não aumenta casos de tuberculose

Um ano após a vacina contra a tuberculose (BCG) começar a ser administrada apenas às crianças pertencentes aos grupos de risco, a diretora-geral da Saúde considera que a medida foi acertada, pois não aumentaram os casos da doença nas crianças.

Desde janeiro do ano passado, a vacina contra a tuberculose (BCG) deixou de ser administrada universalmente, ou seja, a todas as crianças, aquando do seu nascimento.

A estratégia adotada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) passou por vacinar apenas as crianças que pertencem a grupos de risco: famílias com risco acrescido de casos de BCG ou em comunidades com taxas da doença mais elevadas.

Em entrevista à agência Lusa, a diretora-geral da Saúde referiu que a avaliação preliminar a esta alteração do Programa Nacional de Vacinação (PNV) revela que “não se verificou um aumento do número de casos de BCG em crianças, acima do esperado”.

“Há uma grande proporção da população portuguesa, mesmo a infantil, que pela sua característica de residência, ou pelo facto de não pertencer a um grupo de risco, não precisa de ser vacinada contra a BCG”, disse Graça Freitas.

Em última análise, explicou, as autoridades sabem que a estratégia de vacinação está a funcionar se não aparecerem novos casos, sendo que “a avaliação preliminar não aponta para um aumento”.

Outra alteração que entrou em vigor há um ano foi a recomendação da vacinação das grávidas contra a tosse convulsa, com vista a proteger as crianças da doença.

Graça Freitas congratulou-se pela taxa de adesão que é “muito boa nas grávidas”.

“Os obstetras e os pediatras entenderam que podia ser uma mais-valia vacinar as mães para proteger as crianças”, disse, revelando que “a cobertura vacinal das grávidas ultrapassa os 60%” e que, “provavelmente, ainda será superior”.

Para já ainda é cedo para a avaliação do impacto da vacinação com a doença, o que deverá ser possível dentro de um ano.

“Um ano não dá para avaliar a doença. Temos de dar tempo à história natural da doença para avaliar se a vacina teve um impacto positivo ou não”, declarou.

A propósito do ato de vacinar, Graça Freitas reiterou o que tem afirmado: “O ato de não vacinar não é um ato neutro. É um ato assumidamente de não proteção”.

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