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Cancro colorretal mata 4.000 pessoas por ano
DATA
09/02/2018 10:59:57
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Cancro colorretal mata 4.000 pessoas por ano

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Luís Tomé, defendeu uma discussão aberta sobre o melhor método de prevenir o tumor colorretal, que mata anualmente cerca de 4.000 pessoas em Portugal.

“As pessoas não se apercebem da dimensão da questão, mas é uma coisa verdadeiramente brutal. Estamos perante um problema em que há uma mortalidade oito vezes superior àquela que acontece como consequência dos acidentes de viação”, disse o especialista.

Segundo Luís Tomé, que falava a propósito da Reunião Monotemática da SPG, que vai decorrer no sábado, na Figueira da Foz, a mortalidade associada ao cancro colorretal não para de aumentar em Portugal, enquanto outros países já conseguiram inverter essa tendência.

Os cancros do intestino grosso são possíveis de prevenir “porque os tumores desenvolvem-se quase sempre em cima de pólipos, que quando crescem de uma certa maneira transformam-se em estruturas malignas”.

“Quando encontrarmos os pólipos e os removermos, evitamos que se desenvolvam tumores nos intestinos”, sublinhou Luís Tomé, defendendo que todas as pessoas a partir dos 50 anos deviam realizar uma colonoscopia.

O presidente da SPG salienta que, nos países desenvolvidos, “verifica-se que o número de doentes que morrem com problemas do intestino grosso tem vindo a diminuir, porque eles encontram os pólipos e removem-nos”, ao contrário do que acontece em Portugal, em que tem crescido.

De acordo com o especialista, de 2008 para 2014 houve mais 500 casos mortais em Portugal.

“A Direção-Geral de Saúde tentou implementar um sistema em que tentam encontrar as pessoas que têm pólipos pesquisando o sangue oculto nas fezes, mas essa pesquisa é pouco sensível para detetar os pólipos, sendo mais sensível para detetar os tumores”, disse.

Para Luís Tomé, o método que está a ser seguido “não é propriamente rigoroso”, dando o exemplo dos Estados Unidos da América e também de países europeus, em que a prevenção assenta exclusivamente em colonoscopias, que permitam a remoção dos pólipos durante o exame.

Enquanto uma colonoscopia deve ser realizada de dez em dez anos, o teste de sangue oculto nas fezes tem de ser realizado todos os anos e a “experiência mostra-nos que as pessoas perdem a paciência e deixam de o fazer”.

Por outro lado, referiu, o sangue oculto “deteta mais tumores do que pólipos e o que se quer é encontrar pólipos antes de se transformarem em tumores, que é o que está a matar”.

Na reunião de sábado, na Figueira da Foz, em que vão participar cerca de 250 especialistas, o presidente da SPG pretende uma discussão aberta sobre a importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento, de forma a inverter a tendência de evolução do número de tumores.

“Neste momento, as pessoas já estão mais sensibilizadas e já se realizam mais de 300 mil colonoscopias anuais em Portugal, pelo que estamos a começar a caminhar para um bom caminho”, enfatizou Luís Tomé.

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