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Legionella: surtos são “treinos na vida real”
DATA
09/02/2018 11:03:17
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Legionella: surtos são “treinos na vida real”

Os doentes infetados com legionella no Hospital CUF Descobertas (CUF) eram menos vulneráveis do que os do Hospital de São Francisco Xavier (HSFX), o que explicará a ausência de mortes na unidade privada, segundo a diretora-geral da Saúde, para quem os surtos são “treinos na vida real”.

Em entrevista à agência Lusa, Graça Freitas sublinha ainda que a atuação do dispositivo de Saúde Pública foi exatamente a mesma nas duas situações dos hospitais de Lisboa, não se distinguindo as medidas e decisões tomadas na unidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na unidade privada.

“Tratámos as duas situações exatamente com o mesmo protocolo e acionámos as mesmas medidas. O dispositivo correu bem, sendo que a dimensão foi diferente, no HSFX houve óbitos a lamentar, mas em termos de situação da saúde pública as coisas correram bem porque se interrompeu a cadeia de transmissão”, afirmou.

Graça Freitas indicou ainda que a ausência de mortes no surto de legionella na unidade da CUF pode estar relacionada com a menor idade destes doentes e com uma mais favorável situação clínica de base, comparativamente aos do HSFX.

“De um modo geral, os doentes do HSFX, pelas características dos hospitais, eram pessoas mais idosas e com mais patologias de base. Tinham muitas patologias, anteriores à pneumonia por legionella e eram de um grupo etário mais avançado”, justificou.

O surto da CUF, que infetou, até ao momento, 15 pessoas, ainda não está dado como terminado, porque é necessário respeitar o período máximo de incubação da doença a partir do momento em que foram tomadas as medidas na canalização da água para travar a infeção.

A diretora-geral da Saúde indicou ainda que está já em curso o programa de vigilância da legionella nos hospitais, que tinha sido determinado pelo ministro da Saúde, mas vincou que se trata de uma “vigilância suplementar” que complementa o que já é feito pelas unidades de saúde e pelas autoridades.

Graça Freitas explicou que foi feito um levantamento nos vários hospitais pelas autoridades locais e que foi estabelecido um calendário de colheitas e análises à água.

Previamente foi feito um trabalho sobre as unidades consideradas prioritárias, o que não tem a ver com a dimensão do hospital, mas antes com a avaliação de risco, tendo em conta fatores como a idade do edifício da instituição, o tipo de canalização ou a existência de torres de arrefecimento.

Para a diretora-geral da Saúde, os vários surtos de legionella que têm ocorrido no país, desde o de Vila Franca de Xira em 2014, são uma espécie de lições, em que se vai aprendendo a gerir melhor as situações.

“Os surtos são treinos da vida real, infelizmente, mas aprende-se muito. Cada surto que passa acaba por ser uma grande aprendizagem. No final fazemos uma avaliação para ver o que correu bem, menos bem ou mal e aprender lições. A grande aprendizagem que estes surtos nos dá é a de fazer melhor da próxima vez. Os surtos são treinos, exercícios na vida real”, argumentou.

Graça Freitas considera ainda que há hoje uma maior capacidade e atenção clínica para identificar os casos de infeção por legionella, admitindo até que tenham, no passado, chegado a haver surtos que não foram identificados.

“Há novidades em termos de diagnóstico de há uns anos para cá. Com um teste muito simples na urina dos doentes consegue detetar-se facilmente um caso”, indicou, considerando que os médicos estão também cada vez mais atentos a esta possibilidade.

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