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Medicina Tradicional Chinesa: OM contesta validação científica
DATA
14/02/2018 11:22:03
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Medicina Tradicional Chinesa: OM contesta validação científica

O bastonário da Ordem os Médicos (OM) critica a portaria que regula os requisitos gerais para a criação de cursos que conferem o grau de licenciado em Medicina Tradicional Chinesa e afiança que esta representa uma ameaça à saúde dos doentes.

“É importante que a população perceba que estes ciclos de estudos não habilitam à prática de Medicina, que é exclusiva dos médicos”, afirmou Miguel Guimarães, em comunicado, acrescentando que “este é o culminar de um processo que sempre mereceu e continuará a merecer a oposição da OM, quer pela forma como foi conduzido, quer pelas soluções adotadas”.

Em causa está a publicação em Diário da República da Portaria n.º 45/2018, que valida a criação de ciclos de estudo que conferem o grau de licenciado em Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

“A criação de um ciclo de estudos com formação de quatro anos em práticas que não têm base científica constitui um perigo para a saúde e para as finanças dos portugueses, pois poderá gerar atrasos em diagnósticos e tratamentos de situações potencialmente graves que, assim, continuarão a evoluir”, apontou Miguel Guimarães, recordando que “todas as intervenções terapêuticas com resultados efetivos e comprovados cientificamente são incorporadas na medicina convencional”.

“O ministro da Saúde e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior estão a contribuir para um retrocesso sem precedentes na essência da fundamentação científica da investigação e na evolução da inovação tecnológica e terapêutica próprias da Medicina”, afirma o bastonário, acusando: “esta é uma atitude irresponsável, de consequências nefastas para a saúde das pessoas e dos doentes e que irá provocar um aumento imponderável na publicidade enganosa e na pseudociência”.

A OM já tinha solicitado ao Parlamento e ao Presidente da República, em 2013, que a expressão “Medicina Tradicional Chinesa” fosse substituída por “Terapêuticas Tradicionais Chinesas”, por considerar que “estas terapêuticas não constituem prática médica”.

Miguel Guimarães lamenta “que o legislador tenha cedido aos interesses comerciais e publicitários, apelidando este ciclo de estudos de Medicina Tradicional Chinesa e dando azo a que surjam equívocos quanto à componente (inexistente) de formação médica”.

Saúde Pública

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