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Urgência Pediátrica de Évora: rotura é "mais uma face do desinvestimento no SNS”
DATA
13/03/2018 10:10:06
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Urgência Pediátrica de Évora: rotura é "mais uma face do desinvestimento no SNS”

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), apontou, em comunicado, que o risco de rotura da Urgência Pediátrica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), devido à falta de médicos especialistas “é mais uma das muitas faces visíveis do desinvestimento a que tem sido sujeito o Serviço Nacional de Saúde (SNS) na última década”.

“A OM vai responsabilizar o ministro da Saúde pela segurança clínica dos doentes e dos médicos, instando o Governo a resolver rapidamente a situação e pedindo a intervenção dos deputados da Assembleia da República”, afirmou o bastonário. 

Miguel Guimarães reage assim ao documento que lhe foi remetido, assinado pelos médicos pediatras do HESE e que dão conta do “descontentamento com as condições de trabalho e de assistência que são atualmente praticadas no Serviço de Urgência Pediátrica” do hospital.

“A OM tem vindo a alertar que em muitas unidades de Saúde as escalas de serviço só são asseguradas graças ao esforço e dedicação exemplar dos médicos, que asseguram, muitas vezes com prejuízo pessoal, escalas sucessivas para evitar que falhe a prestação de cuidados de saúde aos utentes do SNS”, sublinha. Esta denúncia “é o resultado da exaustão em que muitos destes colegas se encontram”, considera o bastonário.

Para Miguel Guimarães “é de lamentar que no recente concurso para a colocação de jovens médicos especialistas não esteja contemplada qualquer vaga para a especialidade de Pediatria”. “Quando se sabe que um terço do quadro médico deste hospital já não faz serviço de urgência por ter atingido o limite da idade que lhes permite essa dispensa ou por estarem integrados na Urgência da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, não se percebe que o Ministério da Saúde não tenha procurado reforçar uma unidade claramente carenciada”, aponta.

A OM recorda que aos problemas associados ao escasso quadro de pessoal médico se juntam ainda instalações desadequadas à atual realidade dos cuidados de saúde prestados, “deficiências que a tutela tem ignorado apesar das sucessivas queixas e alertas”.

“É o reflexo da política de desinvestimento em Saúde de sucessivos governos que têm negligenciado os cuidados de saúde no Interior do país”, assevera Miguel Guimarães. O bastonário lamenta que “apesar dos sucessivos alertas se continuem a acentuar as clivagens regionais no país, contribuindo, cada vez mais, para que haja portugueses de primeira e de segunda, com acesso a cuidados de saúde condicionado em função do código postal”.

O bastonário frisa que a proposta apresentada pela Administração Regional de Saúde do Alentejo de contratar mais médicos em regime de prestação de serviços “apenas pode ser encarada como uma solução temporária para evitar a rotura do serviço enquanto não são contratados especialistas para os quadros do hospital”.

Miguel Guimarães deixa ainda um aviso aos responsáveis da unidade hospitalar e da ARS do Alentejo: “os oitos internos de especialidade que fazem a sua formação especializada no HESE não podem substituir médicos especialistas e a sua intervenção na Urgência Pediátrica deve ser limitada ao estipulado no regulamento do Internato Médico. A direção clínica do HESE tem especial responsabilidade para zelar pelo cumprimento da legislação em vigor no que aos internatos médicos diz respeito”, afiança.

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