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Um novo ciclo prepara a Idade de Ouro da MGF
DATA
15/03/2018 17:35:58
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Um novo ciclo prepara a Idade de Ouro da MGF

Arrancou hoje, em Vilamoura, o 35.º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar (MGF). Organizado pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), o evento vai reunir cerca de 800 médicos de família (MF) em torno do mote Novo Ciclo da MGF.

A conferência inaugural esteve a cargo do MF e protagonista da especialidade em Portugal, Victor Ramos, que acredita que o novo ciclo que agora se inicia servirá de gatilho para que, nas próximas décadas, a MGF portuguesa viva a sua “Idade de Ouro”.

Por sua vez, o presidente da APMGF, Rui Nogueira, apontou alguns pontos incontornáveis no futuro da especialidade. Nomeadamente, as novas métricas para as listas de utentes por MF, um trabalho que a APMGF tem vindo a desenvolver e que não pode ser dissociado da questão dos prazos para a abertura de concursos para a colocação de recém-especialistas.

“A APMGF conseguiu que a Assembleia da República aprovasse uma recomendação junto do Ministério da Saúde para que estes concursos passem a ser abertos a 30 dias, medida que o ministro se apressou a apelidar de inconstitucional”, lamentou Rui Nogueira, referindo “que não existe justificação para continuarmos à deriva”.

Uma opinião partilhada pelo bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, que fez questão de marcar presença na sessão de abertura do 35.º Encontro Nacional de MGF, elogiando “o excelente trabalho” que os MF têm vindo a fazer e o seu contributo para um Serviço Nacional de Saúde (SNS) de qualidade.

A propósito da reforma dos cuidados de saúde primários (CSP), o bastonário da OM lamentou que esta seja mais uma das reformas da saúde que estão “congeladas” – a par da das Carreiras Médicas –, referindo não compreender porque é que a passagem das unidades de saúde familiar (USF) a modelo B não é automática, assim que os critérios são atingidos pelas equipas. De acordo com Miguel Guimarães, “é uma verdadeira incongruência da parte da tutela”, já que há um estudo publicado no Portal do SNS em que se demonstra a custo/efetividade deste modelo organizativo.

Durante três dias, os internos e especialistas de MGF poderão apresentar os seus trabalhos e atualizar os seus conhecimentos científicos em áreas como a doença reumática, a diabetes, o cancro digestivo, a insuficiência cardíaca, a doença renal ou os cuidados paliativos. Haverá ainda espaço para a já habitual sessão onde serão discutidas as oito principais evidências clínicas do ano transato, a cargo do responsável pelo Centro de Estudos de Medicina Baseados na Evidência (CEMBE) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, António Vaz Carneiro.

O debate em torno das questões profissionais e organizativas mais prementes no âmbito da MGF e dos CSP – tais como a nova métrica para as listas de utentes ou o presente e futuro do modelo de prestação de cuidados em USF – também vai marcar o evento, desde logo com a participação no encontro dos sindicatos médicos, das administrações regionais de saúde, da Associação Nacional das USF (USF-AN), do Colégio da Especialidade de MGF, da OM e de entidades governamentais como os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

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