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Ambientalistas pedem que químicos tóxicos não sejam substituídos por semelhantes
DATA
11/04/2018 10:30:43
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Ambientalistas pedem que químicos tóxicos não sejam substituídos por semelhantes

As regras europeias permitem que um químico, do mesmo grupo de outro proibido, continue a ser usado, como o bisfenol, presente em algumas garrafas e biberões plásticos, alertaram hoje ambientalistas que defendem a regulação por grupo de substância.

Um relatório da organização não governamental (ONG) britânica Chem Trust demonstrou que a regulamentação da União Europeia (UE) permite que uma substância “identificada cientificamente como tóxica ou perigosa” seja substituída por “substâncias muito semelhantes”, disse hoje à agência Lusa a ambientalista da Associação Sistema Terrestre Sustentável (Zero), Susana Fonseca.

A ambientalista refere o exemplo apontado no estudo – o bisfenol A – que, após mais de um século de debate sobre a sua perigosidade para a saúde humana e para o ambiente, foi classificado como tóxico, por ter efeitos principalmente no aparelho reprodutor e como desregulador do sistema endócrino.

Este químico tem vindo a ser substituído por outro tipo de bisfenol, mas Susana Fonseca salientou que, “se se fala dos bisfenóis, é muito provável que tenham características semelhantes também no impacto na saúde humana e no ambiente”.

Aliás, “a atratividade por parte dos industriais” para, quando não podem usar o bisfenol A o substituírem por outro “é porque são moléculas semelhantes”, acrescentou.

O relatório aponta para “a necessidade de, quando se procura regular uma substância, não o fazer individualmente, mas em grupo”, ou seja, perceber se as substâncias daquele tipo, neste caso, os bisfenóis, têm ou não as mesmas características e se têm, ao restringir uma devem restringir-se todas as outras.

A substância estava presente em produtos de consumo como as garrafas de plástico desportivas para bebidas, tendo o bisfenol A sido substituído por bisfenol F que “está agora a ser identificado pela agência europeia se químicos como uma substância que também interfere com o sistema endócrino, [mas] ainda não há regulamentação”, explicou a especialista da Zero.

“Quando vão comprar essas garrafas, as pessoas veem que é livre de bisfenol A, o que acontece com muita frequência, como com os biberões, que tinham a substância e que, desde 2011, a UE proibiu, mas nada impede que outras substâncias semelhantes que não estão reguladas, outros bisfenóis, estejam a ser utilizados no fabrico desses biberões”, salientou ainda.

Além das garrafas e dos biberões, a Chem Trust refere o exemplo das latas de conserva e dos recibos térmicos, obtidos nas impressoras térmicas existentes na maioria das lojas, um papel que a partir de 2020 vai ser proibido, mas atualmente é uma fonte de bisfenol A, principalmente para os empregados que trabalham com este material.

“Apesar dos sofisticados sistemas de regulação da UE na área das substâncias químicas, a indústria tem sido autorizada a substituir um bisfenol preocupante por outro igualmente preocupante. Não é uma situação aceitável, quando está em jogo a saúde das gerações futuras”, realça a ONG do Reino Unido, apelando aos reguladores para regularem os grupos de substâncias químicas relacionadas entre si, e não individualmente.

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