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3.º ASPIC International Congress: Tecnologia especial está a mudar a medicina
DATA
15/05/2018 14:23:30
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3.º ASPIC International Congress: Tecnologia especial está a mudar a medicina

O 3.º ASPIC International Congress, que decorreu entre os dias 10 e 11 de maio, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, mostrou que a tecnologia espacial está a mudar a medicina.

Este ano, o congresso contou com a participação de um dos investigadores da NASA, Leon Alkalai, através de vídeo conferência, que falou sobre as grandes novidades na área da medicina descobertas pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), um laboratório norte-americano onde trabalham 6.200 pessoas e que, todos os anos, tem um orçamento aproximadamente de 2.4 mil milhões de dólares.

“Há toda uma nova geração de tecnologia de visualização, de realidade aumentada, que estamos a desenvolver no JPL. E há um esforço para aplicar a tecnologia espacial ao campo médico”, referiu o especialista.

Leon Alkalai já integrou algumas das mais impressionantes missões espaciais, uma delas aconteceu há pouco mais de uma semana, quando foi lançada para o espaço a missão InSight (Interior Exploration Using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport), que vai instalar-se no planeta vermelho. “Marte será analisado como quem observa um doente e aquilo que vamos fazer é analisar o seu interior”, explicou.

Durante o congresso, o investigador explicou ainda de que forma a microcirurgia assistida por robot teve impacto na medicina. “Fomos nós que inventamos a tecnologia por detrás do Da Vinci, um braço robotizado muito usado nos blocos operatórios”, disse.

A tecnologia na área da imagem é outra das apostas do laboratório da NASA, bastante útil na medicina, nomeadamente na oncologia. “Somos muito fortes no campo da tecnologia que proporciona a recolha de imagens do universo, com recurso aos infravermelhos. E esta tecnologia permite também que se visualizem as células cancerígenas, uma vez que existem diferenças no calor emitido por estas células, que pode ser detetado”, acrescentou.

Leon Alkalai explicou também a importância do trabalho feito na área dos dados, que as missões realizadas pela NASA recolhem em grandes quantidades e que a tecnologia permite analisar, tecnologia essa “aplicável na ciência médica. Trabalhamos na área do diagnóstico preditivo, com base nos dados clínicos, dados socioeconómicos, tudo isto baseado na tecnologia criada para o espaço”.

Na área da esterilização, os avanços têm sido igualmente relevantes, até porque tudo aquilo que vai para o espaço tem que ser totalmente esterilizado. Daí, a tecnologia desenvolvida detetar todos os agentes exteriores. “Os rovers que vão para Marte não podem levar germes ou esporos para o espaço. Temos que os esterilizar, de forma a proteger os outros planetas da nossa contaminação.” Segundo o investigador da NASA, esta inovação poderá vir a estar disponível nos hospitais dentro de um ano. “É importante porque vai permitir aos hospitais usar equipamentos de forma mais rápida, reduzindo o risco de infeção”.

Note-se que o 3º ASPIC International Congress teve como grande objetivo “motivar as pessoas para o conhecimento”, explicou Luís Costa, presidente da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro (ASPIC) e diretor do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria.

 

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