Jornal Médico Grande Público

Hospital de São João admite reduzir camas e cirurgias por falta de enfermeiros
DATA
17/05/2018 14:51:10
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS


Hospital de São João admite reduzir camas e cirurgias por falta de enfermeiros

A dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Fátima Monteiro, revelou que a estratégia da administração do Hospital de São João, no Porto, para resolver o “caos” nos horários dos enfermeiros passa pela “redução de camas e de cirurgias”.

Os enfermeiros deste hospital realizaram, hoje, entre as 11:30 e as 13:30, uma greve em protesto contra “as precárias condições de trabalho, que têm vindo a agravar-se”.

“Fomos recebidos pelo conselho de administração, que corrobora as nossas preocupações. Quisemos saber qual a estratégia para 1 de julho, face ao volume de horas existentes em débito aos enfermeiros e que vão aumentar exponencialmente se não houver contratualização”, disse a dirigente do SEP, em declarações à agência Lusa.

Segundo Fátima Monteiro, a administração do Hospital de São João “compreende que não pode pedir mais aos enfermeiros, compreende que já estão nos seus limites, compreende que a taxa de absentismo advém das condições de trabalho, mas diz que por parte da tutela não tem havido preocupação em contratualizar enfermeiros”.

Fátima Monteiro revelou ainda que a administração admitiu que “dado o panorama que se vive na desregulação dos horários dos enfermeiros será estudada uma via que passará pela redução ou encerramento de camas e cirurgias a partir dessa data [1 de julho]”.

A dirigente sindical sublinhou que “o sindicato é contra a redução de camas e de cirurgias e continua a responsabilizar o Ministério da Saúde e o Governo por estas opções políticas que destroem progressivamente o SNS”.

Trata-se de um problema que não afeta só este hospital, “Gaia se calhar ainda está pior e mesma situação verifica-se no Santo António. É uma situação preocupante, não só pela segurança dos profissionais, mas também pela qualidade dos cuidados que prestam e pela quantidade de serviços que a população vai ver reduzida”, frisou.

Neste momento, “as horas em dívida acumulam-se e já são cerca de 60 mil” e “a carga horária semanal aumenta a cada semana, impedindo que os enfermeiros gozem os períodos de descanso a que têm direito”, refere o SEP, acrescentando que “não são cumpridas as horas de descanso entre os turnos. E o recurso a turnos de 12 horas, ilegais, passou a ser a regra da vida de trabalho destes profissionais”.

Saúde Pública

news events box

Mais lidas

Has no content to show!