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Porto abre unidade especial para ajudar famílias a comer de forma saudável
DATA
29/05/2018 11:09:27
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Porto abre unidade especial para ajudar famílias a comer de forma saudável

O Porto recebe, já no próximo mês, a primeira Unidade de Intervenção Alimentar da Criança (UnIAC) para ajudar as famílias com crianças a comer de forma mais saudável e travar as birras à mesa daqueles que não querem legumes e frutas.

Esta unidade resulta de uma iniciativa conjunta das faculdades de Ciências da Nutrição e da Alimentação (FCNAUP), Psicologia e Ciências da Educação e a de Medicina da Universidade do Porto, bem como do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, avançou, ontem, à agência Lusa o diretor da FCNAUP, Pedro Moreira.

A criação da UnIAC, que vai ser anunciada publicamente, hoje, no âmbito da celebração do 42.º aniversário da FCNAUP, tem o objetivo aproveitar a investigação que a Universidade do Porto faz no domínio da nutrição e alimentação e trabalhar em conjunto com as várias faculdades da Universidade do Porto para ajudar as famílias a comer de forma saudável e a prevenir a obesidade infantil e outras doenças.

Dar sopa com palhinha a crianças avessas a legumes pode ajudar a travar conflitos entre pais e filhos às refeições. É precisamente para aprender a comer saudável que os especialistas do Porto decidiram avançar com este projeto.

“Hoje em dia, a nossa sociedade é muito hedónica, temos a ideia que tem que dar prazer, mas a solução da palhinha é um belo exemplo para mostrar que não é tanto a questão do prazer, é mais a questão da motivação para o comer. De facto, a palhinha é um método” fácil para pôr uma criança a comer mais saudável sem travar guerras, porque muitas vezes a refeição é um “fator de grande stresse entre o casal”, explica Pedro Moreira, um dos impulsionadores da criação da UnIAC no Porto.

Segundo o responsável, o “recurso à recompensa” em dar um doce em troca de comer a sopa é um erro apontado por aquele especialista em nutrição, alertando que depois é “muito difícil sair dessa armadilha” de comer saudável com “contratos de recompensa” com sobremesas doces.

As marcações de consultas de nutrição e psicologia devem ser feitas por telefone ou via e-mail para a Faculdade de Nutrição e Psicologia. Os dias disponíveis são às segundas-feiras, das 09:30 às 16:00, e aos sábados das 09:00 às 13:00, referiu a psicóloga que integra o projeto universitário da UnIAC, Sandra Torres, referindo que preço das consultas é 30 euros.

“Prevemos com cada caso haver uma avaliação inicial que é feita conjuntamente pelo psicólogo e pelo nutricionista (…) e é partir daqui é que será depois elaborado o plano de intervenção e será programada o tipo de estratégias que vão ser conduzidas”, explicou a psicóloga.

Sandra Torres considera que “há muito trabalho a fazer com os pais, porque na faixa etária das crianças entre os dois e cinco anos quem “toma as grandes decisões” são dos progenitores.

“Aumentar o tempo de exposição de alimentos saudáveis e brincar com eles é um caminho a percorrer nas consultas”, disse, explicando que no contexto de intervenção e de consulta vai haver um “supermercado montado” com os produtos alimentares mais desejáveis, onde a criança poderá brincar e simular escolhas, com o objetivo de no futuro resultar numa escolha melhor da comida”.

Segundo Pedro Moreira, a UnIAC pretende ser “uma resposta” para que um conjunto de profissionais de saúde junto das famílias e das crianças possam trabalhar “colaborativamente com o objetivo de promover um estilo de alimentação saudável da criança”.

“Prevemos com cada caso haver uma avaliação inicial que é feita conjuntamente pelo psicólogo e pelo nutricionista (…) e é partir daqui é que será depois elaborado o plano de intervenção e será programada o tipo de estratégias que vão ser conduzidas”, explica Sandra Torres.

Por sua vez, estas consultas são também uma forma de chegar aos pais, na medida em que “tem de haver exemplos em casa e uma unidade de discurso na família coerente”, acrescenta Pedro Moreira.

“Sabemos que a biologia humana, regra geral, não nos empurra muito para as coisas que são mais desejadas em termos de alimentação saudável, nomeadamente uma ingestão adequada de produtos hortícolas. Sabemos que comer vegetais é uma coisa muito complicada nas famílias”, acrescenta o diretor da FCNAFP, lembrando que a investigação demonstra que o “consumo de vegetais” pode aumentar com a “exposição repetida de alguns vegetais” ou que a “interação de sabores diferentes dos vegetais com outros que a criança gosta”.

Estas consultas “inovadoras pelo espírito colaborativo entre nutricionistas, pediatras e psicólogos", vão ter “normas” e “ferramentas” devidamente adaptadas e validades como por exemplo pelo Geração XXI, um projeto de investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto que tem estudado 8647 crianças, tendo concluído que as crianças portuguesas preferem doces aos legumes, referiu Pedro Moreira.

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