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Eutanásia: Líder parlamentar do PSD defende despenalização para as próximas legislativas
DATA
29/05/2018 18:07:37
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Eutanásia: Líder parlamentar do PSD defende despenalização para as próximas legislativas

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, considera que a decisão sobre a despenalização da eutanásia deveria ser remetida para depois das próximas eleições legislativas, afirmando que não se devem “apanhar os portugueses de surpresa”.

Fernando Negrão, que é pessoalmente contra, salientou que não renega a natureza da democracia representativa, não se tratando, portanto, “de uma objeção por falta de legitimidade”.

“Mas, da mesma forma que não abdico do poder representativo de que estou imbuído como deputado da Nação, também me recuso a extravasar esse direito”, afirmou, salientando que apenas o PAN tinha esta matéria no seu programa eleitoral.

Por essa mesma razão, o líder da bancada do PSD, na qual haverá liberdade de voto, defendeu que “a menos de ano e meio das próximas eleições legislativas” os portugueses gostariam de “ter esse tempo para maturar e formar com mais certeza e consciência” as opiniões sobre a eutanásia.

“Em matérias da dimensão como, por exemplo, da eutanásia, não podemos, nem devemos apanhar os portugueses de surpresa”, afirmou.

O social-democrata admitiu que pode existir a perceção de que “o eleitorado do PSD é maioritariamente contra a despenalização da eutanásia”, ou os do BE “claramente a favor”.

No entanto, Fernando Negrão considera que “é, no mínimo, presunçoso querer arrogar-se de quaisquer certezas sobre qual é o desejo da maioria dos seus eleitores”.

O líder parlamentar do PSD classificou o sentimento maioritário da bancada social-democrata “contra a despenalização da eutanásia nessas circunstâncias”, “sem suficiente debate e ponderação” e sem “reflexão exigente”.

Apelando a uma maior aposta nos cuidados paliativos, Negrão considerou que os pareceres conhecidos “pedem um maior amadurecimento do assunto” e “alertam para as deficiências intrínsecas dos projetos de lei”.

“Seja qual for o sentido individual de voto de cada deputado e de cada deputado social-democrata, estou certo que todos o farão em liberdade e em respeito pela sua consciência, pois que mesmo que não seja já, a médio prazo a tolerância ganha sempre”, defendeu.

Recorde-se que os dois principais partidos, PS e PSD, que somam 175 dos 230 parlamentares, deram liberdade de voto aos seus deputados, o que torna esta decisão ainda mais imprevisível.

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