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Internistas responsáveis por 23% dos doentes dos hospitais do SNS
DATA
01/06/2018 17:08:32
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Internistas responsáveis por 23% dos doentes dos hospitais do SNS

Em Portugal, cerca de 8,6% dos médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) são internistas. Por sua vez, estes dão resposta a cerca de 23% dos doentes saídos dos hospitais do SNS, um total de 802.129 utentes.

Existem mais de 2.600 internistas inscritos na Ordem dos Médicos (OM), destes, mais de 1.700 servem apenas os hospitais públicos, dando resposta a milhares de doentes. Em 2017, saíram dos serviços de Medicina dos hospitais do SNS 188.307 doentes, o que representa mais de 42% dos internamentos médicos, que por sinal foram acompanhados por médicos desta especialidade.

Estes e outros números foram apresentados, hoje, na Sessão Solene de Abertura do 24.º Congresso Nacional de Medicina Interna, que decorre até ao próximo domingo, dia 3 de junho, no Centro de Congressos do Algarve, nos Salgados, pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Luís Campos.

O especialista aproveitou o encontro para mostrar, com recurso aos números, porque é que a Medicina Interna é uma “especialidade nuclear para o sistema de saúde”.

“Em 2017 realizamos, só nos hospitais do SNS, cerca de 587 mil consultas (586.781) e fomos responsáveis pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do SNS”, referiu.

Luís Campos revelou ainda que “os serviços de Medicina, nos últimos 10 anos, têm tido uma taxa de ocupação média entre os 102 e os 130%, enquanto a taxa de ocupação média nos hospitais situa-se entre os 80 e os 85%. Os serviços de Medicina Interna foram responsáveis, em 2017, por 85% dos internamentos por pneumonia, 81% dos internamentos por insuficiência cardíaca, 70% dos internamentos por acidente vascular cerebral, 80% dos internamentos por DPOC e 82% dos internamentos por lupus”, alegando “que o sistema de saúde e os doentes precisam cada vez mais da Medicina Interna”.

Segundo o especialista, a evolução demográfica e o aumento da esperança média de vida fazem com que, atualmente, existam dois milhões e estima-se que, em 2050, existam três milhões e meio. “Isto vai fazer aumentar o número de doentes crónicos e particularmente o número de doentes com multimorbilidades”, afirmou.

Por outro lado, devido ao aumento do conhecimento, “estima-se que o conhecimento em geral duplique a cada treze meses. Isto origina uma fragmentação das especialidades, uma hiperespecialização, gente que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. Isto é inexorável, mas os doentes andam ao contrário e precisam que tomem conta deles de uma forma global”, explicou.

O presidente da SPMI chamou ainda a atenção para uma “ameaça à sustentabilidade do sistema induzida pela introdução da inovação, particularmente por medicamentos que são cada vez mais caros. A necessidade de maior racionalidade, de escolhas custo-efetivas e o combate ao desperdício vão ser cada vez mais uma prioridade”.

O responsável sugere que deve existir uma mudança de estratégia no SNS que deverá passar por criar “departamentos de medicina geridos por internistas, implementação de unidades diferenciadas, como unidades de AVC, de insuficiência cardíaca, de cuidados intermédios”, entre outros.

Criar “programa de integração entre os diferentes níveis de cuidados, que garantam a continuidade de cuidados e retirem os doentes crónicos das urgências” é outra das sugestões de Luís Campos.

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