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OM considera inaceitável obrigar anestesistas a 18 horas semanais de urgência
DATA
04/06/2018 10:24:47
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OM considera inaceitável obrigar anestesistas a 18 horas semanais de urgência

A Ordem dos Médicos (OM) considera inaceitável que o Ministério da Saúde continue a obrigar os anestesistas a fazer 18 horas semanais de serviço de urgência, o que compromete o aumento da capacidade cirúrgica em Portugal.

O bastonário da OM, Miguel Guimarães, lembrou que a reivindicação de se passar das 18 para as 12 horas semanais obrigatórias em serviço de urgência é comum a todos os médicos. No entanto, no caso dos anestesiologistas a situação é particularmente grave.

“É inaceitável que o Ministério da Saúde continue a fechar os olhos em relação ao número de horas que os anestesiologistas são obrigados a fazer no serviço de urgência”, afirmou Miguel Guimarães em declarações à agência Lusa, a propósito de um estudo que dá conta da falta de mais 500 anestesistas nos hospitais públicos.

O bastonário defende que a redução de 18 para 12 horas semanais em urgência iria “aumentar a capacidade cirúrgica no país”. As horas que deixassem de cumprir em serviço de urgência passavam a ser cumpridas em bloco operatório.

“Não há anestesiologistas para cumprir os tempos dos blocos operatórios. A falta de anestesiologistas tem implicações muito importantes, tornando o Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais frágil”, disse, lembrando que muitos tempos máximos de resposta garantidos em cirurgia não são cumpridos.

Mais de 500 anestesistas estão em falta nos hospitais públicos portugueses, apesar de o número de profissionais ter crescido desde 2014, conclui um estudo publicado na Acta Médica Portuguesa. 

De acordo com o estudo, que analisou a realidade de 86 hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), faltam 541 anestesiologistas nos hospitais públicos, quando as necessidades de especialistas são crescentes.

Atualmente, existem 1.280 anestesiologistas a trabalhar no SNS, o que dá um rácio de 12,4 profissionais por 100 mil habitantes, quando em 2014 o rácio era de 12,0. Nos Censos de 2014 tinham sido identificados 1.192 anestesiologistas nos serviços públicos, o que dá um crescimento de 2,1%.

Tendo em conta os 262 anestesiologistas a trabalhar apenas em unidades privadas, o rácio de especialistas passa a ser de 15,1 por 100 mil habitantes em 2017 quando em meados de 2014 se situava nos 13,9.

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