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Um terço dos anestesistas opta por não trabalhar no SNS
DATA
04/06/2018 10:46:42
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Um terço dos anestesistas opta por não trabalhar no SNS

Cerca de um terço dos anestesistas formados nos últimos anos optou por não trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), diz um estudo publicado na Acta Médica Portuguesa.

De acordo com os Censos de Anestesiologia 2017, formaram-se em três anos 145 especialistas em anestesiologia, sendo que 99 terão ingressado nos quadros médicos dos hospitais públicos, o que representa 68%.

A capacidade formativa máxima de anestesiologistas aumentou, passando de um máximo de 64 para 80 médicos, uma alteração introduzia em 2016.

“Contudo, se deste esforço apenas dois terços dos novos especialistas efetivamente celebram contrato com as instituições do SNS, dificilmente conseguiremos no tempo estimado de três anos aumentar em 200 anestesiologistas”, como estava previsto no anterior Censos de 2014, refere o estudo.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, lamentou que o Ministério da Saúde continue a deixar sair profissionais para fora do país e para o privado, não conseguindo retê-los no SNS.

“O país tem de criar condições competitivas para reter os jovens médicos no SNS. E dizer isto não significa pagar mais apenas. Significa, por exemplo, abrir rapidamente os concursos para os especialistas que terminam a sua formação e não demorar meses e meses a fazê-lo, fazendo com que desistam do sistema”, afirmou o bastonário da OM, em declarações à agência Lusa.

Miguel Guimarães considera também necessário melhorar o apoio à formação profissional, dar acesso aos profissionais à investigação, oferecer um claro projeto de trabalho e boas condições para trabalhar.

Segundo as projeções feitas nestes censos, estima-se que até 2020 só se conseguirão obter mais 200 anestesistas, tendo em conta as saídas dos profissionais que completam 66 anos e vão para aposentação.

Já o estudo, publicado na Acta Médica Portuguesa, indica que há um défice de 541 anestesiologistas nas instituições hospitalares do SNS.

Note-se que o rácio de anestesiologistas em 2017 determinado pelos censos no SNS era de 12,4, para 100 mil habitantes quando em 2014 se situava nos 12,0.

Numa análise aos rácios das Administrações Regionais de Saúde (ARS), verifica-se que o rácio de anestesiologistas diminui em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve.

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