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Estudo: Necessidades dos doentes paliativos são mais psicológicas do que físicas
DATA
08/06/2018 12:44:31
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Jornal Médico
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Estudo: Necessidades dos doentes paliativos são mais psicológicas do que físicas

As principais necessidades dos doentes paliativos não são físicas, mas sim psicológicas, relacionadas com a família ou espirituais, concluiu um estudo observacional multicêntrico desenvolvido por um grupo de investigadores do CINTESIS.

O principal objetivo deste estudo, do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), foi identificar as principais necessidades sentidas por pessoas com diagnóstico de doença incurável (oncológica e não oncológica) e potencialmente ameaçadora da vida no que diz respeito aos cuidados paliativos que gostariam que lhes fossem prestados.

Os investigadores triaram mais de 1.700 indivíduos, tendo incluído 135 de um total de nove instituições. Mais de 80% tinham cancro, 57% eram homens e a média de idades era de 66 anos.

Note-se que a maior parte dos indivíduos que participaram neste estudo estava em unidades de cuidados paliativos, mas também havia doentes seguidos nos cuidados primários ou em hospitais não especializados em cuidados paliativos, em diferentes fases da doença (estável, instável ou terminal).

Para os doentes, o principal problema reportado foi a ansiedade ou a preocupação dos seus familiares e amigos (36,3%), seguindo-se a própria ansiedade ou preocupação em relação à doença ou ao tratamento (13,3%) e a necessidade de se sentirem em paz (quase 10%).

A necessidade de partilhar as emoções foi a quinta principal necessidade paliativa referida pelos doentes. Só depois destas necessidades psicológicas ou espirituais vinham as necessidades físicas, como a dor (7,4%).

Através da utilização de uma escala designada por “The Portuguese Integrated Palliative Care Outcome Scale” (IPOS), validada para a população portuguesa, os investigadores concluíram ainda que, apesar de serem referidos, os problemas muitas vezes percecionados como os mais graves, como vómitos ou náuseas, eram, na verdade, os que menos preocupavam os doentes.

“As equipas clínicas resolvem as questões físicas, mas devem melhorar a resolução de necessidades não físicas em sede de cuidados paliativos”, defende o presente estudo, sugerindo a utilização daquela ferramenta para beneficiar a prática clínica paliativa e melhorar a assistência aos doentes e às respetivas famílias.

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