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Investigadores descobrem como controlar a disseminação de tumor maligno no cérebro
DATA
15/06/2018 12:49:32
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Investigadores descobrem como controlar a disseminação de tumor maligno no cérebro

Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descodificou um programa genético que controla a disseminação das células do glioblastoma, uma forma de tumor maligno no cérebro.

O glioblastoma, com uma prevalência na população estimada em um por cada 100 mil habitantes, é o “mais frequente e aquele com pior prognóstico”, devido à capacidade que o tumor tem de invadir o tecido cerebral circundante, o que torna a remoção por cirurgia “extremamente difícil”, podendo mesmo “invariavelmente reaparecer após a cirurgia”, explica o IGC.

Segundo o IGC, este reaparecimento deve-se ao facto de “as células cancerosas facilmente se misturarem com as células normais do tecido envolvente, dificultando o trabalho do cirurgião quando tenta remover todo o tumor”.

Além disso, o glioblastoma contém em si células dita “estaminais” do cancro, ou seja, estas têm a capacidade de originar um novo tumor, principalmente quando são “deixadas para trás”.

“A capacidade de invasão deste tipo de tumor é um assunto tão grave que muitos investigadores se dedicam a tentar compreender quais os mecanismos que permitem às células do glioblastoma invadir o tecido cerebral à sua volta”, disse o investigador que liderou esta investigação, citado num comunicado do IGC, Diogo Castro.

Uma molécula que se sabia estar implicada no processo de invasão do glioblastoma chama-se Zeb1.

“A Zeb1 pertence a um importante grupo de moléculas reguladoras denominadas fatores de transcrição. Estes atuam dentro das células da mesma forma que um maestro conduz a sua orquestra, dizendo aos músicos quando devem começar a tocar ou deixar de o fazer. Os fatores de transcrição fazem a mesma coisa com os genes”, explica Pedro Rosmaninho, primeiro autor deste estudo e investigador no grupo de trabalho de Diogo Castro.

De acordo com o comunicado, o investigador do IGC afirma que esta descoberta mostrou como a molécula Zeb1 “desempenha o seu papel dentro das células cancerosas quando permite que estas sejam capazes de invadir os tecidos do cérebro saudáveis à sua volta”, confirmando, assim, o papel crucial da molécula no glioblastoma.

Os investigadores utilizaram culturas de células criadas a partir de biópsias humanas e bases de dados que continham o perfil genético de centenas de tumores de glioblastoma, de forma a mapear no genoma humano quais os genes que são regulados pela Zeb1.

A experiência mostrou que "a molécula orquestra alterações importantes nas propriedades das células cancerosas, desempenhando um duplo papel, ou seja, a sua presença consegue ‘ligar’ ou ‘desligar’ simultaneamente um grande número de genes”.

Esta descoberta acaba por alterar a interação entre as células cancerosas, conseguindo-se infiltrar no tecido cerebral no qual o tumor se desenvolve.

Diogo Castro fez questão de realçar a importância desta investigação, referindo que “quanto melhor percebermos como as células do tumor de glioblastoma invadem os tecidos envolventes, mais perto estaremos de um dia encontrarmos terapias eficazes que possam interromper este processo”.

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