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ONU: Sistema de Saúde da faixa de Gaza está em “estado crítico”
DATA
21/06/2018 16:18:48
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ONU: Sistema de Saúde da faixa de Gaza está em “estado crítico”

Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) advertiram, hoje, que o Sistema de Saúde da faixa de Gaza está em “estado crítico”, insistindo na urgência de uma resposta internacional às necessidades médicas da população.

Em comunicado, os especialistas recordam que Israel enquanto “força ocupante” tem obrigação de proteger a população de Gaza e permitir ou facilitar o acesso aos cuidados de saúde de quem o necessite.

Os cuidados de saúde na faixa de Gaza, afetados por 11 anos de bloqueio por parte de Israel e por períodos de não-cooperação com a Autoridade Nacional Palestiniana, sofreram recentemente o impacto das vítimas das represálias militares israelitas contra os protestos no âmbito da “marcha do retorno”.

“Estamos profundamente preocupados com o facto do tratamento e os cuidados de milhares de palestinianos de Gaza feridos nas últimas 12 semanas pelo exército israelita terem deixado o sistema de saúde em estado crítico”, disseram os peritos da ONU.

Segundo o Ministério da Saúde, quase 8.600 manifestantes foram admitidos num hospital, incluindo perto de 3.900 feridos a tiro e muitos outros com ferimentos permanentes como amputações.

“É inaceitável que a muitos dos que necessitam atenção médica, atualmente não disponível em Gaza, lhe tenha sido negada autorização para deixar a região em busca de cuidados de saúde”, afirmaram os especialistas.

“Negar o acesso a serviços médicos de urgência fora da faixa [Gaza] aos feridos graves é uma violação do direito à saúde”, acrescentaram.

Os peritos recordam casos em que doentes tiveram alta prematura para permitir a entrada de outros, o adiamento de seis mil operações não urgentes, a falta de alguns medicamentos básicos e a sobrecarga dos serviços de reabilitação.

Neste contexto, pediram uma resposta internacional que conte com o apoio de organizações não-governamentais locais para disponibilizar pessoal, medicamentos e material de saúde.

Recorde-se que os palestinianos de Gaza iniciaram, no dia 30 de março, um movimento de contestação designado “marcha do retorno”, que reivindica o regresso dos refugiados palestinianos às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948, assim como o fim do bloqueio israelita à faixa de Gaza.

De salientar que, pelo menos, 132 palestinianos foram mortos na faixa de Gaza por tiros israelitas desde então. De acordo com a Cruz Vermelha Internacional, cerca de 1.400 palestinianos foram atingidos por três a cinco balas, a maioria nas pernas.

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