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Ministro da Saúde: Canábis para fins recreativos “carece de ponderação”
DATA
26/06/2018 12:07:25
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Ministro da Saúde: Canábis para fins recreativos “carece de ponderação”

O ministro da Saúde defendeu, hoje, que o uso da canábis para outros fins sem ser terapêuticos é uma matéria que “carece de ponderação” e de avaliação de experiências em curso noutros países.

Adalberto Campos Fernandes lembrou que a Assembleia da República aprovou a regulação da canábis para fins terapêuticos, num “quadro de forte regulação e de supervisão pelas autoridades de saúde pública e pela autoridade nacional de medicamento”.

No entanto, o ministro considera que ainda “há muito trabalho para fazer no plano da regulamentação e no plano legal”, disse, à margem do III Congresso do SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, que decorre até quinta-feira, em Lisboa.

Quanto à abertura da canábis para outros fins, Adalberto Campos Fernandes defende que se trata de “uma matéria que carece de ponderação e de avaliação de experiências em curso”, considerando que “a pior coisa que pode haver é voluntarismo e precipitação”.

“Uma coisa é sermos ousados quando temos por detrás de nós a evidência e o conhecimento científico a apoiar-nos, outra coisa é darmos passos relativamente aos quais as consequências não conhecemos”, sublinhou.

O ministro da Saúde lembrou, ainda, que “os nossos técnicos são reconhecidos [a nível mundial], a nossa experiência é reconhecida e, portanto, seguramente Portugal vai estar, como tem estado até aqui, também num processo de liderança em relação a essas situações novas com as quais nos estamos a confrontar”.

A propósito do Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e Tráfico Ilícito, o ministro destacou o trabalho realizado nos últimos anos na área da toxicodependência, “uma das áreas que mais orgulha o país” que “fez de Portugal uma referência no mundo”.

Sobre a criação de um novo modelo organizacional para a intervenção nesta área, o ministro disse que “os trabalhos de análise e ponderação estão concluídos” e que “dentro de breves dias” haverá trabalho específico com a equipa do SICAD.

“Temos de conjugar duas coisas: fazer com que o SICAD e o seu trabalho prossigam de uma forma ainda mais positiva, mais eficaz, mais competente, que o interesse público seja prosseguido e a capacidade que o país tem de regular esse mesmo interesse público, e que os profissionais ganhem um novo impulso, um novo ciclo de motivação”, adiantou.

Adalberto Campos Fernandes salientou, ainda, o papel dos profissionais que “nunca deixaram de estar motivados, mesmo em condições difíceis”.

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