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Madeira: Governo Regional diz que bastonário da OM desconhece realidade do arquipélago
DATA
02/07/2018 14:59:10
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Madeira: Governo Regional diz que bastonário da OM desconhece realidade do arquipélago

O secretário regional da Saúde da Madeira, Pedro Ramos, disse hoje que o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, desconhece a realidade do setor no arquipélago, nomeadamente no que diz respeito aos horários das 35 horas semanais.

“O bastonário está completamente equivocado, a Região Autónoma da Madeira (RAM) já tem os horários das 35 horas a funcionar há mais de quatro anos e não houve, nem está a haver, problemas neste momento. É uma questão de gestão, organização e de planificação dos recursos”, referiu Pedro Ramos, a propósito das declarações do bastonário da OM.

A OM alertou que a passagem do horário dos profissionais de saúde para 35 horas semanais poderia reduzir a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, caso não existissem novas contratações, sobretudo nas regiões mais carenciadas, uma vez que são “as mais debilitadas” em termos de carência de profissionais.

Para Miguel Guimarães, zonas como Beja, Évora e Algarve são “uma panela de vulcão” devido ao aumento da população no verão, que chega a atingir mais de um milhão de pessoas nas férias.

Pedro Ramos salienta que a situação na Madeira, no diz respeito aos enfermeiros, “é um exemplo para todo o país”.

"Já temos horários de 35 horas, já temos a atribuição dos três dias de férias, vamos, imediatamente, após a discussão do Orçamento Retificativo, introduzir e atribuir o suplemento para os especialistas e já temos a remuneração mínima para os enfermeiros, uma situação que contrasta, completamente, com a situação no país", acrescentou.

Quanto às declarações de Miguel Guimarães, o secretário regional da Saúde alega que “o bastonário não sabe o que se passa em termos de horário de trabalho na RAM e também não sabe o que se passa no real”.

Pedro Ramos defende, ainda, que é necessário haver “maior transparência na atribuição de vagas para as várias unidades do país”.

O bastonário da OM considera que as consequências do regime das 35 horas semanais são “ainda imprevisíveis”, mas alerta para a possibilidade dos hospitais e centros de saúde viverem “uma situação mais ou menos caótica, uma vez que o período de férias está a iniciar-se”, logo estão menos pessoas a trabalhar e a “capacidade de resposta dos serviços é reduzida”.

"É uma situação que pode e vai reduzir a capacidade de resposta do SNS", numa altura em que há "imensas dificuldades", com as listas de espera para cirurgia a aumentar de ano para ano, bem como o tempo de espera para a primeira consulta de especialidade hospitalar, afirmou Miguel Guimarães.

Segundo o bastonário, as consequências mais prováveis são o fecho de salas de bloco operatório, implicações nos tratamentos e nas consultas externos, além de alguns serviços terem de “encerrar camas de internamento por não terem, por exemplo, os enfermeiros necessários para assegurar os cuidados de saúde a doentes internados”.

Na base do problema, está, segundo Miguel Guimarães, o facto de o Governo não ter acautelado esta situação, com “um plano adequado” para a contratação atempada dos profissionais necessários para cobrir as necessidades decorrentes desta mudança laboral que envolve milhares de profissionais de saúde.

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