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Hospital S. João já encerrou mais de 70 camas de internamento
DATA
04/07/2018 10:44:46
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Hospital S. João já encerrou mais de 70 camas de internamento

O Hospital de São João, no Porto, já encerrou mais de 70 camas de internamento, bem como alguns blocos operatórios e camas de cuidados intensivos, devido à reposição das 35 horas semanais.

“Já existem relatos de hospitais que tiveram de encerrar algumas camas, como é o caso do São João, onde foram encerradas mais de 70 camas de internamento, alguns blocos operatórios e até algumas camas de cuidados intensivos”, revelou o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães.

Segundo o bastonário, o Centro Hospitalar de São João considerou que “não tinha os profissionais de saúde suficientes para assegurar as camas e para garantir aos doentes os cuidados de saúde de qualidade”.

Para Miguel Guimarães, esta situação está a acontecer “porque não foi atempadamente corrigida”.

Recorde-se que a passagem às 35 horas semanais levou o Governo a anunciar a contratação de dois mil profissionais, com o objetivo de suprir as necessidades que iriam surgir. No entanto, a OM, os administradores hospitalares e os profissionais de saúde consideram que o número fica aquém do necessário.

“Estes dois mil profissionais depois de serem contratados darão uma cobertura a cerca de um terço das necessidades”, justificou o bastonário.

Miguel Guimarães considera que esta situação vai “aumentar ainda mais a gravidade de deficiência de capital humano”, num Serviço Nacional de Saúde (SNS) que “neste momento está fragilizado”.

O bastonário da OM adiantou que a decisão de reduzir camas “não tem a ver com as férias”, mas destina-se a “manter a segurança clínica dos doentes que estão internados”.

Para o responsável, o principal problema não reside no facto de a medida ter sido aplicada neste período, mas sim por não ter sido “previamente contratada pelo menos uma parte significativa dos profissionais de saúde que seriam necessários".

Miguel Guimarães frisou que é “da mais inteira justiça” que os profissionais da saúde passem para as 35 horas semanais, em vez de 40 horas. Contudo, se a situação não ficar resolvida em breve, o bastonário acredita que os efeitos irão agravar-se.

“A verdade é que a partir de setembro este efeito vai ser ainda maior e esses dois mil não chegam”, garantiu.

Miguel Guimarães especificou que é “da mais inteira justiça” que os profissionais da saúde passem para as 35 horas semanais, em vez de 40 horas.

O responsável da OM discordou, também, dos supostos contratos de trabalho por um prazo de seis meses, ressalvando que “estas pessoas têm que ser contratadas para trabalhar no SNS a tempo inteiro”.

Saúde Pública

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