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OM alerta para colapso se médicos com mais de 50 anos deixarem Urgências
DATA
11/07/2018 18:31:12
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OM alerta para colapso se médicos com mais de 50 anos deixarem Urgências

A Ordem dos Médicos (OM) alertou, hoje, o Governo para o possível colapso das Urgências, caso os médicos com mais de 50 anos deixassem de fazer urgência, como prevê a lei.

“Os profissionais têm dado gritos de alerta e não estão a ser atendidos. Qualquer dia chegam a um estado de desmotivação e de exaustão tal que, porventura, aqueles que não têm obrigação de fazer urgência e têm direito a deixar de o fazer, podem deixar de o fazer. E isso tinha um impacto muito grande nos serviços de urgência de uma forma geral”, afirmou Miguel Guimarães.

Na sequência de mais um pedido de demissão de chefes do serviço de Urgência, desta vez na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), o bastonário chamou a atenção para “o número muito significativo de médicos com 50 e mais anos” que continuam a assegurar urgências noturnas e diurnas.

“Uma parte muito significativa das Urgências entraria em colapso se os médicos com 55 anos deixassem de dar o seu contributo e de realizar urgência”, afirmou Miguel Guimarães, lembrando que a lei estabelece que a partir dos 50 anos os médicos estão dispensados de urgência noturna e a partir dos 55 anos estão dispensados de fazer urgência quer de noite quer de dia.

O bastonário lembrou, ainda, que são muitos os médicos com mais de 55 anos que continuam a assegurar as Urgências, alegando que algumas administrações dos hospitais, bem como o próprio ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, têm mostrado incompreensão por esse esforço e até desvalorização.

Questionado se esta análise da situação pode ser entendida como um aviso ao Governo, Miguel Guimarães respondeu que sim, acrescentando estar “muito preocupado” com a desvalorização que responsáveis políticos têm demonstrado “sobre o que está a acontecer no terreno” no Serviço Nacional de Saúde.

Sobre a situação na MAC, o bastonário frisou que a carta de demissão apresentada pelos chefes de equipa demonstra “a falta de capital humano” e o esforço e exaustão dos profissionais.

Aludindo a dados avançados na carta dos médicos da MAC, Miguel Guimarães destaca que apenas sete médicos que cumprem serviço de urgência têm menos de 50 anos.

Além do trabalho em urgência, o bastonário recorda a quantidade de horas extraordinárias feitas pelo pessoal médico, indicando que a remuneração mensal média de todos os médicos do SNS inclui cerca de 21% de horas extraordinárias.

“As horas extra deviam ser isso mesmo, extraordinárias. Mas estão a ser usadas horas extra todos os dias e todas as semanas por falta de médicos”, afirmou.

Os profissionais da MAC que assinaram e entregaram a carta de demissão, à qual a agência Lusa teve acesso, alegam que existe falta de recursos humanos e que os profissionais estão exaustos.

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