Jornal Médico Grande Público

Chefes de equipa da MAC anunciam deixar de fazer horas extraordinárias
DATA
12/07/2018 11:17:21
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Chefes de equipa da MAC anunciam deixar de fazer horas extraordinárias

Chefes de equipa de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) anunciaram que vão deixar de fazer horas extraordinárias dentro de duas semanas, tornando “inoperacional o serviço de Urgência”, caso não seja resolvida a questão da falta de profissionais.

A informação foi enviada à agência Lusa por uma das chefes de equipa da MAC Teresinha Simões que pediu a demissão.

Note-se que os chefes de equipa da Urgência da MAC apresentaram, esta quarta-feira, uma carta de demissão à administração que afirmou que a situação “esta controlada e ultrapassada”. Os profissionais que assinaram e entregaram a carta queixam-se da falta de recursos humanos e dizem que estão exaustos.

Sobre estas afirmações, Teresinha Simões afirma que “obviamente a situação não está controlada e ultrapassada”, até porque a carta de demissão se mantém, e que, caso a situação não seja alterada, dentro de duas semanas os chefes de equipa vão cumprir a lei e deixar de fazer períodos noturnos e Urgências.

“Todos já teríamos direito a não fazer noites e continuamos a fazê-lo, todos os chefes de equipa. E muitos podem nem fazer sequer qualquer urgência, porque têm mais de 55 anos”, explicou.

Segundo Teresinha Simões, dos oito chefes de equipa de Urgência apenas um tem menos de 55 anos.

A chefe de equipa da MAC adiantou, ainda, que houve uma reunião com a direção, mas que “na prática não foi dado nada” porque foram “prometidas as mesmas coisas que andam a prometer há meses”, na sequência de alertas de que “a situação não pode continuar”, que tem de ser contratadas mais pessoas, tanto de pessoal de enfermagem como de pessoal médico.

“Estamos a fazer 12 horas extraordinárias todas as semanas e a ultrapassar o nosso limite e a nossa capacidade”, frisou.

Apesar da carta, "naturalmente" os chefes de equipa vão continuar a trabalhar porque não podem deixar de o fazer “de um dia para o outro”, explicou a médica, alegando que o pedido de demissão só será retirado com dados concretos e não “com promessas”.

Segundo a médica, foi proposto aos chefes de equipa fazerem Urgências com quatro pessoas em alguns dias e cinco noutros, quando habitualmente são sete, o que é “incomportável na Alfredo da Costa, com o movimento e patologia que tem”.

"Com esse número de pessoas, se tivermos duas cesarianas ao mesmo tempo não temos rigorosamente mais ninguém”, alertou.

Saúde Pública

news events box

Mais lidas