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Santa Maria: OM deteta falhas na formação de internos
DATA
25/07/2018 16:01:53
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Santa Maria: OM deteta falhas na formação de internos

A Ordem dos Médicos (OM) detetou falhas na formação de internos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Após uma visita a vários serviços do Santa Maria, o bastonário da OM indicou que o hospital “está a atravessar um momento difícil em termos de serviço de Urgência”, havendo internos que estão a fazer urgência geral quando, segundo o seu programa de formação, já não o deviam fazer.

Em declarações aos jornalistas, Miguel Guimarães explicou que, a partir de determinado momento da formação, os internos devem deixar de fazer Urgência Geral e centrar-se na especialidade. Esta situação foi reconhecida pela direção clínica do hospital e deverá estar resolvida em outubro.

Relativamente às denúncias de médicos internos a realizar o serviço de Urgência sozinhos, o bastonário adiantou que não se verificou tal situação, mas lembrou que chegou a acontecer, pelo menos, na especialidade de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que integra o Santa Maria e o Pulido Valente.

O presidente do Conselho de Administração do CHLN, Carlos Martins, também negou a existência de internos sozinhos a assegurar as Urgências.

Já quanto à situação dos internos de várias especialidades do Santa Maria, Miguel Guimarães confirmou que são “pressionados a fazer” mais horas de Urgência do que aquilo a que são obrigados, considerando que tal se deve às deficiências de pessoal.

“É fundamental que, com caráter de urgência, se faça uma reforma do serviço de urgência. A nível global, nacional. E isso inclui os hospitais e sobretudo os cuidados de saúde primários”, apelou o bastonário, dirigindo-se ao ministro da Saúde.

Miguel Guimarães revelou, ainda, ter encontrado uma situação “muito grave” quanto à bolsa de horas extraordinárias cumprida pelos médicos internos, indicando que, ao fim de dois meses, essas horas acumuladas desapareciam do sistema.

“É uma situação muito grave e que coloca em causa a justiça de remuneração e da compensação do trabalho”, indicou.

Já o responsável do CHLN indicou que esta situação se deve a um problema informático, sendo que já está a ser resolvida, garantindo que os profissionais não serão penalizados.

Sobre as situações apontadas pela OM, Carlos Martins reconheceu que sem sempre é fácil adequar os meios humanos aos “fluxos repentinos” no serviço de Urgência, mas vinca o “investimento muito grande” que tem feito na carreira médica.

O responsável do CHLN adiantou que, até ao final de agosto, serão contratados 54 médicos, o que dá “um saldo positivo de 120”, entre saídas e entradas.

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