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Especialistas em Medicina Legal denunciam atrasos nos concursos
DATA
06/08/2018 10:46:01
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Especialistas em Medicina Legal denunciam atrasos nos concursos

Especialistas em Medicina Legal (ML) denunciaram atrasos na abertura de concursos, com profissionais à espera há mais de dois anos. Os médicos já exercem responsabilidades de especialistas, no entanto remunerados como internos em formação.

Após concluírem o internato da especialidade, os especialistas chegam a esperar mais de quatro anos pelos concursos. A Ordem dos Médicos (OM) escreveu ao Ministério da Justiça, que tutela esta carreira médica, a apelar para que os concursos pendentes fossem abertos de imediato.

Segundo a presidente do colégio da especialidade de ML da OM, Sofia Frazão, estão a aguardar concurso entre 10 e 20 profissionais.

“Nos últimos anos tem havido consecutivamente atrasos na entrada na carreira. É essencial que a abertura dos concursos seja mais rápida, pelo menos semelhante ao que acontece aos outros colegas cuja carreira é tutelada pelo Ministério da Saúde. Além disso, é também importante mais progressão na carreira, que está estagnada”, afirmou Sofia Frazão.

Para a OM, os especialistas em ML são “esquecidos pelo sistema”, apesar de prestarem funções essenciais ao país, diariamente, mas também em momentos-chave, como aconteceu nos grandes incêndios do ano passado, onde os profissionais trabalharam na recolha e identificação dos cadáveres das vítimas mortais dos fogos em junho em Pedrógão Grande e nos incêndios de outubro.

Segundo uma nota da OM, o bastonário enviou na semana passada uma carta ao Ministério da Justiça a apelar à abertura urgente dos concursos, recordando que o último concurso para recém-especialistas foi lançado em outubro de 2016.

A presidente do colégio de Medicina Legal lembra que os profissionais desta especialidade “são poucos, comparativamente a outras áreas”, havendo entre 60 a 70 especialistas no Instituto de Medicina Legal “para um volume de trabalho muito significativo no país”.

Sofia Frazão recorda que estes profissionais atuam não apenas em caso de grandes desastres e na realização de autópsias, mas em várias perícias, como as ligadas a casos de violência doméstica ou a crimes sexuais.

“Somos poucos para o volume de trabalho que há. É importante aumentar a quantidade de jovens especialistas e fazer os restantes progredir na carreira”, afirma, defendendo que haja, pelo menos, um concurso anual para a entrada na carreira de novos profissionais.

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