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Ordem dos Médicos apresenta programa global de educação para a Saúde
DATA
12/10/2018 16:13:17
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Ordem dos Médicos apresenta programa global de educação para a Saúde

A Ordem dos Médicos (OM) apresentou hoje aos jornalistas, na sede do seu Conselho Nacional, em Lisboa, o Choosing Wisely Portugal – Escolhas Criteriosas em Saúde, um programa global de educação para a saúde.

A iniciativa tem como objetivo principal a promoção de escolhas em saúde baseadas na melhor evidência científica disponível e, consequentemente, a utilização adequada de exames complementares de diagnóstico e redução do número de intervenções que possam ser desnecessárias ou sem eficácia/evidência comprovada, bem como uma relação risco/benefício desfavorável.

O projeto conta com dois públicos-alvo distintos: profissionais de saúde (médicos) e doentes.

As recomendações dirigidas aos profissionais de saúde são concretizadas por peritos na área e emitidas pelos Colégios da Especialidade da OM, com a respetiva fundamentação científica, contribuindo para uma melhor qualidade nos cuidados de saúde prestados e servindo de suporte à comunicação médico-doente. Para os doentes, o programa preconiza a criação de materiais pedagógicos, realizados em colaboração com parceiros da comunidade e associações de doentes, que transmitam recomendações em linguagem acessível tendo em vista a promoção da literacia em saúde e contribuir para decisões partilhadas em saúde.

Para o diretor do CEMBE e professor da FMUL, António Vaz-Carneiro, o Choosing Wisely Portugal – Escolhas Criteriosas em Saúde é um “instrumento excecional para a literacia em saúde”, principalmente numa era cada vez mais tecnológica. E ressalva: “não se trata de uma abordagem economicista, mas de qualidade em saúde”.

O “mentor” do projeto em Portugal garante que este se distingue porque tem “estudos de boa qualidade, baseados em evidência científica e com metodologias credíveis”, ao contrário do que acontece na grande parte dos casos quando se pesquisam termos de saúde na internet. “99,9% dos sites são mentirosos, corruptos ou comerciais, por isso “o Choosing Wisely é diferenciado e necessário; é algo benéfico e de confiança”.

Ao lançar este projeto, a OM “está a tentar traduzir um campo de pesquisa que é extraordinariamente difícil para o doente em informação simples e de alta qualidade, baseada na melhor evidência científica”, salientou Vaz Carneiro, explicando que “ao contrário das guidelines, que dizem o que os médicos devem fazer em determinada situação, estas recomendações vêm precisamente dizer aos médicos o que não devem fazer”.

Para o bastonário da OM, Miguel Guimarães, este projeto é mais uma prova do “forte empenho da Ordem em dar o seu contributo para a sociedade civil ao nível da literacia em Saúde”. De acordo com o responsável, o Choosing Wisely distingue-se “pelo facto de estar assente em informação confiável, porque baseada em evidência científica”. Mas, lembra: “nada substitui a relação médico-doente”.  

Em Portugal, este programa de educação para a Saúde apresenta uma nuance extra no que concerne às recomendações, que o bastonário considera necessária, tendo em conta a realidade nacional, sem fugir ao espírito do projeto. Trata-se de educar os cidadãos sobre situações agudas urgentes e não urgentes, para que estes saibam a diferença entre ambas e onde deverão recorrer (urgência hospitalar ou cuidados de saúde primários) em cada um dos casos.

Ainda na perspetiva de Miguel Guimarães, a iniciativa hoje lançada “é apenas um primeiro passo” para um projeto que quer chegar às escolas, aos centros de saúde, às farmácias e a outros locais relevantes da sociedade.

O programa, criado em 2012, nos Estados Unidos da América – e aplicado já em diversos países, como Austrália, Brasil, Canadá, Itália, Japão, Reino Unido e Suíça – chega agora a Portugal pela mão do Conselho Nacional para a Formação Contínua da OM, dos Colégios da Especialidade da OM e do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL).

O Choosing Wisely Portugal – Escolhas Criteriosas em Saúde apresenta como desiderato último a melhoria da relação médico-doente, a evicção da sobreutilização de meios complementares de diagnósticos e terapêuticos inapropriados e a promoção de cuidados de saúde centrados no doente. Com a implementação do programa “pretende-se ainda ajudar médicos e doentes a comunicarem sobre exames e tratamentos desnecessários, usando uma plataforma comum fidedigna, de modo a permitir escolhas em Saúde baseadas na melhor evidência científica”, salientam os promotores da iniciativa.

Todas as recomendações do projeto estão disponíveis em www.ordemdosmedicos.pt/escolhas-criteriosas-em-saude/.

A título de exemplo, pode ser consultada a recomendação do Colégio de Cirurgia Pediátrica da OM “Não realize uma tomografia computorizada na avaliação de uma suspeita de apendicite numa criança antes de considerar como opção a realização de ecografia”, a qual advoga: “A realização de exames com radiação apresenta riscos, em particular em idade pediátrica, dado a maior esperança de vida e a maior proliferação celular, o que torna este grupo etário particularmente vulnerável aos riscos da radiação ionizante, sendo, portanto, de evitar essa exposição quando desnecessária e sempre que não exista benefício comprovado. A substituição da tomografia por uma ecografia diminui os potenciais riscos da radiação ionizante e tem uma excelente acuidade, com sensibilidade e especificidade na ordem dos 94%”.

Saúde Pública

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