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Conferência sobre estigma de doença mental reúne especialistas em Lisboa
DATA
22/10/2018 12:15:56
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Conferência sobre estigma de doença mental reúne especialistas em Lisboa

A 9.ª edição dos “AUA! – Angeline University Award” decorre já esta quarta-feira, dia 24 de outubro, entre as 10:00 e as 18:15, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Sob o tema “Viver com Doença Mental Grave”, esta conferência irá discutir várias temáticas ligadas ao estigma sob a perspetiva de especialistas, doentes e famílias. O psiquiatra Daniel Sampaio, a pedopsiquiatra Áurea Ataíde, a psicóloga Natália Costa e o professor de saúde mental Luís Loureiro são apenas alguns especialistas que vão participar neste debate.

Um dos temas a discutir será se a linguagem do dia-a-dia contribui para perpetuar a estigmatização das pessoas com doença mental. Como exemplo, a utilização desadequada de diagnósticos psiquiátricos em debates políticos (quando se rotulam medidas como esquizofrénicas ou bipolares, por exemplo).

Nesta conferência será, ainda, apresentado um inquérito sobre “Estigma em Saúde Mental”, promovido junto da população universitária portuguesa, no âmbito do Angelini University Award 2017/2018. Este inquérito teve por base um questionário online com 1092 respostas válidas, realizado entre 21 de maio e 31 de julho de 2018. O perfil dos respondentes tem uma idade média de 23 anos, feminizado (86,3% são mulheres), 46,5% da amostra reside nos distritos de Lisboa e Porto e 53,8% frequenta cursos relacionados com a área da Saúde.

Neste inquérito, a maioria dos estudantes universitários revelou ter tido contacto com doenças mentais durante o período de faculdade (51,5%), com maior predominância em níveis de graduação mais elevados.

Por sua vez, os estudantes diagnosticados com doença mental no ensino superior (16,8%) têm maior propensão para conhecerem outras pessoas que também tenham tido diagnóstico de doença mental (85,7% dos 51,5% com contacto com doenças mentais). A maioria dos estudantes considera que ter uma doença mental é diferente de ter uma doença física (66,7%) e, perante a afirmação “se estivesse à frente de um processo de recrutamento para um emprego, saber que a pessoa teve ou tem uma doença mental iria interferir na minha decisão”, mais de 20% admitem que sim.

Os universitários consideraram que os meios de comunicação social são um dos principais responsáveis na promoção do estigma existente relativamente à doença mental, especialmente pela forma como caracterizam os doentes mentais e as instituições de psiquiatria em novelas, filmes e séries.

Durante a conferência serão conhecidos os vencedores da 9.ª edição do prémio AUA, destinado aos jovens universitários portugueses. Tendo por objetivo estimular a criatividade e inovação, o concurso da Angelini Farmacêutica pretende que sejam desenvolvidos projetos multidisciplinares e com aplicabilidade prática relacionados com a temática da doença mental grave.

Ao final da tarde serão, ainda, revelados os vencedores das duas categorias do Prémio de Jornalismo AUA 2017/2018, que tem por objetivo ajudar a sensibilizar a opinião pública para questões da doença mental.

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