Jornal Médico Grande Público

Ricardo Leão: “Este simpósio pretende reunir experts em investigação e estimular o interesse pela Urologia”
DATA
23/10/2018 09:47:47
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS


Ricardo Leão: “Este simpósio pretende reunir experts em investigação e estimular o interesse pela Urologia”

O Jornal Médico falou com o urologista do Hospital CUF Coimbra, Ricardo Leão, a propósito do 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia, organizado pela Academia CUF, que decorre dia 8 de dezembro, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

Sendo um dos responsáveis pela organização do evento, Ricardo Leão destacou que, acima de tudo, “este simpósio pretende divulgar a excelente investigação que se faz em Portugal e que a Urologia é um campo de investigação muito apelativo”.

A ideia de trazer grandes nomes da investigação portuguesa para o debate visa dar a conhecer os mais recentes trabalhos em Urologia, salientar as diferentes possibilidades e nichos de investigação ainda não explorados e “trazer para a Urologia investigadores que neste momento querem aplicar na clínica as suas descobertas”.

É crucial estimular o interesse dos vários investigadores presentes neste simpósio pela Urologia. “A curto prazo pretendemos que as pessoas percebam que a Urologia é uma área apetecível, já a longo prazo esperamos que haja cada vez mais inovação e que se constitua em Portugal um grupo de investigação, com várias áreas de saber (ciência básica, novos biomarcadores, tecnologia de imagem diagnóstico, terapêutica dirigida) dedicado à Urologia.”

Relativamente ao tema que irá abordar – “miRNAS in testicular cancer” – o especialista explicou que estes biomarcadores são uma mais-valia para o cancro do testículo, na medida em que apresentam elevada especificidade para a doença, algo    que atualmente não existe na clínica. 

“Uma vez que respondem a várias questões, estes biomarcadores podem ser usados não só diagnóstico, mas também na monitorização da resposta à terapêutica, seja ela cirúrgica ou de quimioterapia. O nosso grupo descobriu que estes miRNAs, permitem predizer a natureza histológica de lesões residuais em doentes que fizeram quimioterapia. Esta descoberta permite uma abordagem personalizada e a capacidade de adequar o tratamento pós-quimioterapia. Até ao dia de hoje, todos os doentes com lesões residuais pós-quimioterapia são submetidos a cirurgias agressivas de remoção destas lesões, e cerca de metade dos doentes não têm benefício clínico desta intervenção. Estes miRNAs, permitem predizer quais os doentes que beneficiam desta cirurgia, o que constitui um avanço significativo naquilo que queremos que seja uma medicina cada vez mais precisa e eficaz”, explicou.

No futuro, o objetivo passa por validar clinicamente estes biomarcadores, algo que, segundo o especialista, já está a acontecer. Ricardo Leão indicou, ainda, que nos próximos três anos vão surgir novos resultados, que, certamente, irão alterar o modo como diagnosticamos e tratamos doentes com cancro do testículo. 

Saúde Pública

news events box

Mais lidas