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Miguel Guimarães: Dedicação exclusiva dos médicos deve ser voluntária e não obrigatória
DATA
26/10/2018 16:11:31
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Miguel Guimarães: Dedicação exclusiva dos médicos deve ser voluntária e não obrigatória

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, defende que, a ser equacionada pelos decisores políticos, a questão da dedicação exclusiva destes profissionais ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) não deve tratar-se de uma medida impositiva, mas antes de uma opção de escolha.

A mensagem foi transmitida hoje pelo responsável, na cerimónia de abertura do 21.º Congresso Nacional da OM – que decorre até amanhã, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, subordinado ao tema “O Futuro da Medicina” – perante quase duas centenas de médicos e na presença da ministra da Saúde, Marta Temido.

Foram vários os “recados” que Miguel Guimarães endereçou à nova inquilina da João Crisóstomo, sob a forma de desafios futuros para a Saúde nacional, e reforçando sempre a disponibilidade da OM como parceira da tutela na persecução das melhores respostas paras esses mesmos desafios.

À cabeça, o bastonário da OM, sublinhou a importância da criação de condições que permitam estagnar a atual “fuga” de médicos para o estrangeiro ou para o setor privado, bem como a urgência na resolução das assimetrias regionais em Saúde que persistem a nível nacional.

O reforço da capacidade do SNS foi outro dos desafios elencados pelo responsável. A este respeito, “é preciso ir além das melhorias ao nível do capital humano e das infraestruturas, procedendo-se igualmente às reformas necessárias, nomeadamente a hospitalar”, sustentou, apontando que esta pode ser a altura ideal para se voltar a alavancar a reforma dos cuidados de saúde primários (CSP) que, a seu ver, tem estado “congelada”.

Outro dos desafios incontornáveis para Portugal, em matéria de Saúde, passa, no entender de Miguel Guimarães, pelo combate às desigualdades sociais, com o bastonário dos médicos a defender que seja contemplada uma verba específica para este efeito já no Orçamento do Estado (OE) para 2019.

Valorizar a qualidade também constitui uma prioridade, na ótica do responsável, na medida em que “nos permite ter melhores outcomes, aumentar a eficiência e, eventualmente, reduzir custos”. Uma aposta forte na investigação é outro dos desafios, devendo contemplar, entre outros aspetos, a avaliação de resultados.

Para Miguel Guimarães, centrar os cuidados de saúde na pessoa, tem que ser mais do que um chavão. Também a transparência, baseada em dados/informação fidedigna, é crucial para a decisão informada do cidadão, defende o urologista. “De nada vale a liberdade de escolha implementada pelo anterior ministro, sem essa transparência de dados. Só assim os doentes podem decidir de forma informada e capacitada”, refere o bastonário, lembrando a alavanca dada recentemente pela OM, a este nível, com o lançamento do projeto “Choosing Wisely Portugal – Escolhas Criteriosas em Saúde”, um programa global de educação para a saúde.

Por último, mas não menos importante, urge “humanizar os cuidados de saúde, valorizando a relação médico-doente”, apontou o bastonário, revelando que esta é uma das áreas em que a OM também já fez o seu “trabalho de casa” e que deverá estar para breve a apresentação dos tempos adequados de consulta, estipulados pelos Colégios de especialidade médica.

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