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OM: "Governo só não resolve problema da pediatria do São João se não quiser"
DATA
05/11/2018 10:29:57
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OM: "Governo só não resolve problema da pediatria do São João se não quiser"

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, considera que a resolução do problema da ala pediátrica do São João está nas mãos do Governo.

"Só não se revolve se o governo não quiser. O governo tem vários mecanismos para resolver esta situação (...), porque o governo com muita facilidade é capaz de injetar umas centenas de milhões de euros num banco", lembrou Miguel Guimarães, citado pela agência Lusa.

O bastonário defendeu que "não chega dizer que vai haver mais 200 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde ou 500 milhões para a Saúde", é necessário, de facto, "resolver as situações que estão mal" e no caso da pediatria do Hospital de São João, no Porto, assegura, "não é tão complexo assim, passar as crianças para dentro do hospital. Existe espaço".

Miguel Guimarães teme a situação continue a arrastar-se tempo e avisa que se assim for, a contestação pode subir de tom. "Se o governo não tomar uma decisão, ou melhor, não resolver a situação rapidamente é bem possível que isto, a curto prazo, possa ser um foco de protesto muito forte do norte do país. O norte do país são três milhões e meio de habitantes, não são propriamente meia dúzia de pessoas", afirmou.

O responsável dos médicos considera mesmo que o primeiro-ministro, António Costa, deveria esclarecer os portugueses sobre este tema e garantir que as promessas que têm sido feitas são cumpridas.

"Acho que o governo devia ter atenção a isto, devia cumprir aquilo que disse, porque isso é o que é importante neste momento, e acho que o primeiro-ministro devia falar com os portugueses. Como ele uma vez disse, ele não tem que falar com as ordens profissionais, mas tem que falar os portugueses e tem que ouvir aquilo que os portugueses têm para dizer", sustentou.

O bastonário da Ordem dos Médicos criticou, ainda, a atuação dos deputados nesta matéria e defendeu que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deveria intervir em matérias como esta.

"Vejo também os políticos todos muito parados. Os deputados da Assembleia da República é que aprovam o orçamento (...), portanto têm oportunidade, no seu conjunto, de obrigarem o governo a introduzirem algumas coisas no orçamento (...) Acho até que o próprio Presidente da República devia ter uma intervenção nestas matérias", considerou.

Para Miguel Guimarães o mais importante agora é resolver a situação, seja por ajuste direto ou não, deste que seja feito o mais rapidamente possível.

"Esta situação deve-se é resolver o mais rápido possível. Nós percebemos que é preciso algum tempo, têm que ser feitas obras. Agora se nós não iniciamos as obras não saímos do zero, continuamos na estaca zero. Se o tal concurso público internacional tem que ser novamente relançado, tem que partir tudo da estaca zero, nem daqui a um ano as obras começam", defendeu.

Saúde Pública

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