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Carlos Aguiar: “As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre os diabéticos”
DATA
08/11/2018 11:31:06
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Carlos Aguiar: “As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre os diabéticos”

A propósito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala já no próximo dia 14 de novembro, o cardiologista Carlos Aguiar alertou para o impacto das doenças cardiovasculares na mortalidade dos doentes diabéticos.

Para o médico, “a relação entre doenças cardiovasculares e diabetes é, do ponto de vista da saúde pública, preocupante e perigosíssima”, uma vez que estas doenças “são a principal causa de morte entre os diabéticos”, sendo responsáveis “por mais de 50% da mortalidade”.

“A mortalidade por doenças cardiovasculares tem vindo a diminuir, o que mostra os benefícios do controlo dos fatores de risco. Mas apesar disto, tem havido um aumento da prevalência da obesidade, que é um caminho para a diabetes do tipo 2. A minha preocupação é que este aumento de obesidade e diabetes venha a causar uma inflexão na mortalidade cardiovascular”, afirmou Carlos Aguiar.

De acordo com o especialista, no Atlas da Federação Internacional da Diabetes de 2017, “Portugal representa uma das manchas mais escuras da Europa”. Desta forma, é fundamental transmitir a mensagem de que, “para além do rim, do olho e das amputações, a doença cardíaca e a mortalidade cardíaca são um dos principais inimigos a ter em conta na diabetes”.

“As pessoas tendem a olhar para a diabetes como um problema associado a comer doces. Mas, aqui, o que importa é que esta é uma doença que vai resultar numa perda de tempo de vida. Quando há uma doença cardiovascular associada, a nossa esperança de vida é encurtada em oito, nove anos, em média. Se tivermos também diabetes, a ligação é realmente perigosa, ou seja, o tempo de vida é ainda mais curto”, sublinhou.

Outro dos desafios da diabetes é alerta os doentes para a importância do cumprimento terapêutico. “É uma pena termos medicamentos que devolvem a esperança de vida, mas que depois o doente não toma”, reforçou Carlos Aguiar.

“Gostava que os medicamentos fossem todos chamados pelo nome que têm: destinam-se a prolongar a quantidade e a qualidade de vida. Acho, por isso, quase obrigatória uma reclassificação dos medicamentos”, concluiu.

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