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Ordem dos Médicos contabiliza mil cirurgias adiadas em Coimbra
DATA
07/12/2018 10:10:24
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Ordem dos Médicos contabiliza mil cirurgias adiadas em Coimbra

A greve dos enfermeiros dos blocos operatórios já motivou, até agora, o adiamento de quase mil cirurgias programadas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), revela a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM).

De acordo com o presidente da SRCOM, Carlos Cortes, foi contabilizada uma produção “de menos 823 cirurgias programadas, sendo 250 convencionais e 573 de ambulatório”.

“Nunca vi nestes últimos anos uma irresponsabilidade, uma apatia e passividade tão grande do Ministério da Saúde perante este problema. E o problema é para os doentes, que não estão a ser operados”, frisou.

Segundo Carlos Cortes, “há doentes com neoplasias que não estão a ser operados, há atrasos que, porventura, poderiam ser cirurgias não consideradas urgentes, mas que passado algum tempo se tornam urgentes”.

O presidente da SRCOM alerta ainda para o facto de o número de cirurgias urgentes estar a “aumentar cada vez mais, porque uma situação num dia pode ser considerada não urgente, mas se não é imediatamente operada começa cada dia a ficar pior”.

Carlos Cortes considera incompreensível a atuação da tutela perante uma greve que tem cerca de duas semanas e meia, lembrando que há consequências que “podem ser marcantes para os doentes o resto da sua vida”.

“Estamos perante uma greve com reivindicações e compete ao Ministério da Saúde resolver muito rapidamente toda esta situação. Trata-se de uma situação que considero catastrófica, inédita. No país, nunca conhecemos uma situação desta gravidade”, salienta.

O responsável dá conta da existência de quase mil cirurgias adiadas em Coimbra, afirmando que, provavelmente, “na próxima década o SNS não terá capacidade para as resolver”.

“Estamos a falar de cirurgias que não se marcam de uma semana para a outra e a capacidade do SNS absorver estas cirurgias vai marcar a sua atuação para a próxima década”, disse Carlos Cortes.

“Há um silêncio do Ministério da Saúde completamente incompreensível para resolver esta situação e, quem está a sofrer, infelizmente, estas consequências, são os doentes, que vão sofrer sequelas daquilo que está agora a ser adiado”, lamenta.

Carlos Cortes considera, igualmente, inaceitável que, até agora, os hospitais e o Ministério da Saúde não tenham divulgado publicamente os dados das cirurgias em atraso.

“A Ordem dos Médicos não percebe, por exemplo, porque é que o CHUC não diz publicamente quais estão a ser as consequências desta inanição do Ministério da Saúde, que é importante para a transparência deste processo”, enfatizou.

Recorde-se que, no passado dia 22 de novembro, os enfermeiros de cinco blocos operatórios de hospitais públicos iniciaram uma greve de mais de um mês às cirurgias programadas.

Saúde Pública

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