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Ministra marca presença na apresentação de estudo sobre reforma dos CSP
DATA
07/12/2018 18:57:44
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Jornal Médico
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Ministra marca presença na apresentação de estudo sobre reforma dos CSP

A ministra da Saúde, Marta Temido, esteve presente na apresentação do estudo “Momento Atual da Reforma dos CSP em Portugal 2017/2018”, coordenado pelo médico família André Biscaia. O Jornal Médico esteve presente no encontro, organizado pela USF-AN, que decorreu hoje no Centro de Saúde de Sete Rios.

O estudo, que conta já com a 9.ª edição, analisou as respostas de uma amostra de 500 coordenadores de Unidades de Saúde Familiar, em abril de 2018, contando com uma taxa de resposta na ordem dos 75%, o que corresponde a 375 respondentes.

Foram analisadas várias áreas, nomeadamente sobre a satisfação com as reformas dos CSP; a informatização; instalações e equipamentos; evolução das políticas; evolução do número de USF, entre tantas outras.

De acordo com o presente estudo, existem atualmente 265 USF modelo A e 254 modelo B, sendo que 90% das USF modelo A pretendem evoluir para o modelo B.

“O que não corre bem no Ministério da Saúde é, em primeiro lugar, responsabilidade da ministra, terá sido dos anterior titulares, neste momento é da ministra. O que corre bem é e será sempre mérito dos profissionais. Esta é a minha postura em todas as organizações nas quais trabalhei e será também assim no Ministério da Saúde”, começou por dizer a ministra.

Quanto à transformação das USF A em USF B, Marta Temido afirmou “o objetivo para a área dos CSP (…) passa pela necessidade de caminharmos para a universalização do modelo USF A”, ainda que compreenda a vontade da grande maioria dos profissionais ambicionar uma transformação para uma USF B.

“Não vejo que haja qualquer impedição para que de facto façamos o caminho em conjunto de transformar as UCSP, ainda existentes, em USF A, assim seja a vontade das equipas”, enfatizou.

“Temos um conjunto de unidades que estão identificadas (…) que, neste momento, têm condições para passar de USF A a USF B ou que têm candidatura apresentada. Os números são de 16 USF A em condições de passar para B e de 31 USF A que estão, de alguma forma, no processo de passagem”, adiantou a ministra.

Segundo Marta Temido, foi criado o número de USF B que estava previsto no despacho conjunto do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças. “Portanto, não será possível criar este ano mais USF B. Aquilo que estamos a tentar fazer é cumprir o número que estava estipulado para A”. Contudo, a ministra admitiu que têm existido algumas dificuldades a esse nível.

“Se queremos aprofundar a reforma dos CSP, temos que voltar a olhar para o modelo remuneratório”, acrescentou.

De acordo com o presidente da USF-AN, João Rodrigques, “este estudo pode ser um instrumento de apoio à melhoria da decisão política”, dado ser um instrumento apoiante da boa prática clínica.

Outra das conclusões do estudo diz respeito ao grau de satisfação dos CSP, que tem vindo a decrescer ao longo dos últimos anos, sobretudo, desde o início da crise económica. A satisfação passou de 59,8% (2009/10) para 23,8% (2017/18).

“Fico muito preocupada com o nível de insatisfação dos nossos profissionais relativamente não só aos serviços centrais, como também relativamente à perceção que têm das coordenações, das ARS e do Ministério da Saúde”, lamentou Marta Temido.

Para os coordenadores das USF, as áreas prioritárias de mudança para este ano são: em primeiro lugar os “equipamentos telefónicos”; em segundo lugar a “dimensão da lista de utentes”; em terceiro lugar os “incentivos institucionais”; em quarto lugar o “desenvolvimento da carreira do secretário clínico”; e por último os “equipamentos informáticos”.

Quanto às falhas de material básico, mais de 89% das USF teve, pelo menos, uma falha deste tipo de material, 38% entre três a dez vezes e 32,5% mais de dez vezes.

Já relativamente às falhas informáticas, 71,2% das USF tiveram mais de dez vezes problemas no acesso aos sistemas informáticos, sendo que 95% dos inquiridos considerando que estas situações prejudicaram a prestação e qualidade dos serviços.

Embora Portugal seja o país da Europa com a maior percentagem de médicos de família em relação ao número total de médicos (46%), “continua a faltar um plano de recursos humanos nacional a curto, médio e longo prazo”, alerta o coordenador do estudo.

Sobre este assunto, a ministra espera que “os concursos de colocação dos recém-especialistas acontecem nos 30 dias subsequentes à colocação das notas”, sendo que o objetivo passa por “cumprir o prazo de 19 de dezembro”.

Saúde Pública

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