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Ministra admite recorrer a privados para realizar cirurgias adiadas
DATA
11/12/2018 15:49:11
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Ministra admite recorrer a privados para realizar cirurgias adiadas

A ministra da Saúde, Marta Temido, admite recorrer aos hospitais privados para realizar algumas das cirurgias adiadas devido à greve dos enfermeiros dos blocos operatórios, caso os hospitais públicos não consigam responder a todos os casos programados.

“Continuamos a trabalhar no sentido de que todas as cirurgias que neste momento não estão a ser realizadas possam ser reagendadas no mais curto prazo possível e continuamos a trabalhar com os conselhos de administração no sentido de encontrar soluções para que, ainda dentro do período da greve, algumas das cirurgias que não correspondem ao padrão de serviços mínimos” possam ser realizadas, disse Marta Temido aos jornalistas, à margem da sessão de encerramento das comemorações dos 20 anos da Ordem dos Médicos Dentistas.

“Temos tido alguma colaboração dos piquetes de greve no sentido do alargamento de salas para alguns casos específicos ou para que essas cirurgias possam ser realizadas noutros hospitais, preferencialmente do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, mas “se for necessário também com hospitais privados”, adiantou a responsável pela pasta da Saúde.

Para Marta Temido, este tipo de protestos que visa “a defesa de reivindicações dos trabalhadores não pode dar azo a algo” relativamente ao qual todos têm “algumas reservas, que é a questão de reforçar o setor privado em detrimento de uma fragilidade aparentemente criada no serviço público”.

“É muito importante que se refira que o SNS realiza anualmente perto de 600 mil cirurgias e que as cirurgias que estão neste momento a ser adiadas são cerca de cinco mil. Portanto, embora pese a enorme preocupação com que olhamos este impacto na vida dos portugueses na sua saúde, ao qual estamos atentos, e que continuaremos a trabalhar para contornar, esta greve tem a dimensão que tem”, salientou.

“O SNS não é a imagem que às vezes se lhe pretende colar de serviço onde as pessoas não estão protegidas, as pessoas estão protegidas”, assegurou, realçando que as ordens profissionais têm um “papel fundamental” nesta matéria.

As greves que afetam o SNS têm um aspeto relevante de reivindicação dos profissionais, que o Governo tenta “acompanhar na medida” das suas “possibilidades como país”, mas têm também “um outro lado, um lado de fragilização dos serviços públicos”, enfatizou.

Recorde-se que a greve dos enfermeiros dos blocos operatórios, que deverá terminar no dia 31 de dezembro, decorre no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Centro Hospitalar Universitário do Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte e no Centro Hospitalar de Setúbal.

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