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Investigadores do Porto usam futebol como medicamento para a diabetes tipo 2

O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) desenvolveram um projeto, denominado “SWEET-Football”, que usa o futebol como medicamente para tratar doentes com diabetes tipo 2.

Em entrevista à agência Lusa, o investigador responsável pelo projeto, Romeo Mendes, explicou que o principal objetivo do projeto, iniciado em setembro, é “avaliar a aplicabilidade e a segurança” daquela que é uma variante de futebol recreativo – o walking football.

"Tradicionalmente o tipo de atividades que estão ao dispor desta população e as soluções que a sociedade oferece não envolvem adequadamente as pessoas, que facilmente acabam por desistir da atividade. Quando queremos promover alterações de comportamentos na comunidade têm de existir motivações intrínsecas e extrínsecas que, de facto, alterem o estilo de vida das pessoas", explicou Romeo Mendes.

Dado que existe “uma maior prevalência da diabetes tipo 2 nos homens do que nas mulheres. Portanto, aproveitamos também o facto de no nosso país, o público masculino ter uma relação emocional e afetiva muito grande com o futebol, ou porque gostam do desporto, ou porque até já foram jogadores", esclareceu o investigador.

Segundo Romeu Mendes, os participantes praticam a "dose mínima de atividade" recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o tratamento desta doença, ao realizarem três treinos por semana que têm a duração de uma hora.

"A dose mínima semanal advogada pela OMS são os 150 minutos, mas o nosso projeto oferece cerca de 180 minutos por semana, usando a atividade física como se de um medicamento se tratasse. Os participantes são acompanhados por um treinador de futebol, por um fisiologista e um enfermeiro", frisou.

Tendo em conta que “os riscos inerentes ao futebol poderiam colocar questões de segurança nos participantes”, os exercícios praticados neste projeto são mais lentos.

"As únicas regras do walking football é que ninguém corre e não há contacto físico. Quem está com a bola sabe que ninguém vai tirar-lhe e isso foi fundamental para que estas pessoas aceitassem jogar futebol, visto que sentem que estão a praticar com segurança", explicou Romeo Mendes.

Os investigadores, que estão agora a recolher os principais resultados do projeto, vão "implementar pequenos projetos a nível nacional" já no início do próximo ano.

"Precisamos de envolver os centros de saúde, hospitais, clubes de futebol e municípios. Este é projeto perfeitamente possível, sem haver mobilização de verba financeira entre os centros de saúde, os recursos que já existem nos municípios e nos pequenos e médios clubes de futebol. O nosso grande objetivo para a próxima época desportiva é fazer uma expansão do walking football como medicamento", acrescentou.

Embora a diabetes tipo 2 afete sobretudo a população masculina, os investigadores estão à procura de uma "solução para as mulheres", que poderá não passar pelo futebol, mas por outra modalidade mais "tradicional".

Saúde Pública

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